Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Mais uma definição; Barco lotado e tubarões no mar; Isolado e esperançoso; Dois exércitos, dois homens
02/09/2020

Mais uma definição

O PSD do deputado federal Diego Andrade desistiu de lançar candidato a prefeito e vice nas eleições municipais de Varginha. A legenda anunciou que vai apoiar a reeleição de Vérdi Lúcio Melo (Avante). Com isso as lideranças locais do PSD, como Carlos Ailton Martins, Armando Fortunato entre outros, vão aderir ao grupo já formado e liderado por Vérdi e Ciacci, que disputarão em novembro. O PSD é uma das últimas legendas de destaque a definir seu caminho nas eleições de Varginha, visto que o partido pretendia lançar nome próprio, mas, não conseguiu força local para tal. Pelo que se vê, o deputado federal Diego Andrade, líder estadual do PSD, na região Sul, deve focar o protagonismo da legenda em Três Pontas, onde é majoritário e terá forte atuação. Com a decisão do partido de apoiar Vérdi Melo e Leonardo Ciacci o arco de aliança da reeleição, em tese, terá no mesmo palanque Diego Andrade (PSD), Dimas Fabiano (PP), Eros Biondini (PROS), Newton Cardoso Junior (MDB) e Dilzon Melo (PTB) e outros nomes fortes da política estadual. Claro que muitos destes nomes nem devem efetivamente subir no palanque de Vérdi, mas é fato que a ligação e apoio destes partidos envolve o comprometimento e portas abertas destas lideranças na ajuda a um eventual segundo governo de Vérdi. A conferir!   

Barco lotado e tubarões no mar

A coluna conversou com uma liderança política ligada a campanha de reeleição de Vérdi. Destacou que “o barco da reeleição está lotado” e unindo personalidades políticas que “pouco se gostam” ou que dificilmente trabalhariam juntas. O articulador político que é próximo a Vérdi disse que a quantidade de lideranças e partidos que apoiam a reeleição é um sinal de força e que “nem todos os medalhões” que apoiam Vérdi e Ciacci vão se envolver efetivamente na eleição, visto que o pleito municipal vai focar nos apoios locais. Traduzindo em miúdos, a fonte da coluna disse que “dificilmente” veremos deputados, senadores ou outras lideranças políticas regionais no palanque, mas estas personalidades estão “comprometidas em ajudar Vérdi e Ciacci” no desenvolvimento de Varginha, em caso de vitória, claro! Todavia, a fonte ouvida pela coluna disse que realmente “pode haver atritos de atuação” entre os muitos grupos políticos locais que estão hoje no apoio a reeleição. A expressão “barco lotado” utilizada pela coluna para representar a grande e variada aliança eleitoral em torno do candidato do Avante foi compreendida e aceita pela fonte ouvida que retrucou: “o barco lotado não significa que haverá motim contra o capitão (Vérdi), mas é possível que ao longo da viagem, a vaidade e ciúmes faça uns jogarem outros na água para os tubarões”! Quem vai para a água primeiro?

Isolado e esperançoso

O fechamento de apoio político entre as legendas locais, com vista as eleições municipais, tem mostrado, até aqui, que o Partido dos Trabalhadores – PT está sendo isolado pelos demais partidos. Este isolamento é visto claramente no momento em que nem mesmo os partidos de esquerda, (com ideologia parecida com a do PT) estão se juntando em torno do PT, como acontecia antes. O forte desgaste da legenda em âmbito nacional chegou forte na cidade e a saída de Geisa Teixeira é mais um sinal do desgaste e momento difícil pelo qual passa o PT. Percebam que o PT nem mesmo buscou conversas com outras legendas locais de centro como MDB ou PSD, por exemplo. Outras legendas como o PSL e o PSB também for am alvo de ação política para serem isolados, mas no caso destas legendas o governo municipal que tem se esforçado para não deixar nenhum partido ou grupo político de destaque se aproximar deles. No caso do PT, é a própria classe política que parece querer evitar a legenda. Certamente que o partido vive maus momentos em Varginha e as eleições de 2020 podem ser um divisor de águas ao PT. Sem perspectivas de lançar um candidato competitivo, a esperança de sobrevivência do PT será se conseguir eleger vereador e poder contar com apoio de lideranças estaduais e deputados para ter atuação local e remontar sua base municipal. Será que ainda resta esperança?

Dois exércitos, dois homens

O PSL caminha firme para lançar Zacarias Piva como candidato a prefeito, mesmo sem ter muito sucesso na busca de apoio político e adesão de lideranças na cidade. O PSL municipal foi rápido para definir seu candidato, mas lento ou ineficiente para buscar aliados. Piva conseguiu, até aqui, o apoio de duas ou três legendas menores, com destaque para o Democrata, que em Minas é liderado pelo senador Rodrigo Pacheco. Muito possivelmente o vice de Zacarias Piva será o médico cardiologista Vismário Camargos, que deseja o posto e tomou gosto pela política desde quando atuava no MDB. Piva e Vismário foram adversários nas eleições passadas quando disputaram uma vaga de deputado estadual. Na época vivendo bom momento no Legislativo municipal e ainda filiado ao estruturado Partido Progressista, ainda assim, Zacarias Piva conseguiu menos votos que o então desconhecido Vismário Camargos. A união dos dois agora pode ser promissora, se houver boa estrutura para a campanha e forte grupo político para impulsionar a candidatura do PSL, mas isso fica cada dia mais distante no momento em que vai se aproximando o prazo final dos partidos para definirem seus apoios e o PSL pouco soma em seu grupo. O próprio Piva é um estranho no ninho do PSL, onde chegou há pouco tempo e não tem grupo político experiente como tinha no PP. Já Vismário Camargos, ainda começando sua história política, passou pelo MDB e hoje lidera o Democrata esvaziado, visto que a base do partido ligada ao agronegócio segue a liderança de Renato Paiva e cia. De qualquer forma, o desafio da disputa eleitoral depende mais da atuação individual do candidato do que do grupo na busca pela vitória. Mas é certo que, na prática, o “exército do PSL” e do Democrata terá, basicamente, dois guerreiros: Piva e Vismário. Pode ser pouco, mas bastou um pequeno Davi para derrubar o gigante Golias e seu numeroso exército! A conferir.

Um vice para Rogério

Enquanto o PSL de Zacarias Piva ensaia a oficialização de Vismário Camargos, do Democrata, como vice em sua chapa, o PSB, de Rogério Bueno permanece como o “menino feio do baile, que ainda não conseguiu par”. O PSB conversou com vários outros partidos em busca de vice e principalmente em busca de fortalecimento da chapa encabeçada por Rogério Bueno. Na última pesquisa realizada o nome de Bueno apareceu em destaque frente aos demais pré-candidatos do PSL, PCdoB e PSOL. Mas Bueno vai precisar de um bom vice e mais alianças para fortalecer sua posição política se quiser vencer em novembro. A coluna não acredita, mas é muito possível que partidos como a Rede Sustentabilidade e outros alinhados à esquerda optem por apoiar Bueno ao invés de apoiar o PT ou mesmo ter que lançar nomes próprios. A campanha política tem se tornado uma etapa cara e difícil com o rigor da Justiça Eleitoral na prestação de contas e impossibilidade de apoio financeiro privado de empresas. Se realmente a campanha de Rogério Bueno crescer com o apoio de legendas a esquerda isso significará o isolamento total do PT nestas eleições. A conferir.

Ganhou do Convid, mas pode perder para política

O presidente da Fundação Hospitalar de Saúde de Varginha – Fhomuv, Luis Fernando Alfredo foi um dos muitos que contraíram a Covid-19 em Varginha. Luiz Fernando foi fumante por muitos anos e não tem a “saúde de atleta de Bolsonaro” vindo a necessitar de atenção médica para se recuperar da pandemia. Ele ficou hospitalizado no Bom Pastor e superou o Covid-19 com louvor. Luiz Fernando tem realizado um grande trabalho na Fundação Hospitalar de Varginha, onde conseguiu bons números e resultados no Hospital Bom Pastor. A instituição de saúde municipal é referência em gestão da saúde, com eficácia e transparência maior que o Hospital Regional, que acumulou enorme dívida milionária e atrasou pagamentos de salários e fornecedores em vários momentos. Já o Hospital Bom Pastor, na gestão de Luiz Fernando, além de não atrasar pagamentos, ainda ampliou sua estrutura e atendimento e tem dívida equacionada e bem menor que o Hospital Regional. Porem a gestão de Luiz Fernando tem encontrado resistências em alguns “medalhões médicos” locais que foram contrariados com o rigor imposto pelo presidente da Fundação Hospitalar. Não é a primeira vez que Luiz Fernando encontra problemas com seus liderados. Quando esteve no posto de secretário municipal de Administração, (onde ficou por mais de uma década), Luiz Fernando por diversas vezes bateu de frente com sindicato, benesses dos servidores e muitos interesses setorizados entre os milhares de servidores do município. No caso específico da classe médica há uma diferenciação para com os outros servidores públicos, ainda mais em meio a uma pandemia de saúde mundial. Apenas os médicos do município foram beneficiados neste ano com aumento de salário recente que os demais servidores da saúde ou de outros setores não tiveram. Isso já mostra o irregular tratamento diferenciado dados a estes profissionais, que sempre têm defensores “na Câmara e na classe política local”. Luiz Fernando é um dos últimos “bastiões do Clube de Elite da era Antônio Silva” que restou nesta administração. A cada dia, Vérdi Melo vai fazendo uma gestão “com a sua cara”, deixando de lado os traços da gestão de seu antecessor. Será que Luiz Fernando vai ser o sobrevivente do Covid-19, que “perdeu para os médicos”? A conferir!

Palanques de 2020 e 2022

O palanque eleitoral de 2020 começa a ficar claro em Varginha com a definição das candidaturas e as ligações políticas dos grupos locais com os possíveis candidatos de 2022. Muitas das coligações de agora foram construídas pensando em 2022. Varginha tem diversos deputados estaduais e federais com base e atuação eleitoral aqui, o que vai certamente impactar na distribuição de apoios, principalmente, na próxima gestão municipal que será eleita em novembro. Além disso, as composições estaduais e nacional também podem colocar divisão nos palanques municipais. Ou seja, os possíveis candidatos a governador vão dividir os partidos e por consequência as bases no interior. Vamos analisar, por exemplo, o palanque atual do Avante e do PSL. O palanque do Avante tem diversas legendas como PP, PSD, MDB etc que são legendas com deputados próprios e rivais em âmbito estadual e federal. Ou seja, dificilmente o palanque montado agora se mantém unido para 2022. Já o palanque do PSL que tem no seu apoio o Democrata, é possível que a parceria continue em 2022, a depender das candidaturas ao Governo de Minas em 2022. Democrata tem nome para a disputa do Governo de Minas de 2022 e o PSL pode vir a ter. Além disso, é sabido que muitas das figuras políticas municipais, algumas que estão concorrendo em 2020 e outras que estão nos bastidores desta eleição municipal, tem desejo de disputarem nas eleições de 2022. A saída de Dilzon Melo e Geisa Teixeira da ALMG deixaram uma lacuna política na região. Além disso, o desgaste natural dos deputados federais da região, que aliás são poucos, também abre brecha para que novos nomes surjam. Fato é que a pretendida construção eleitoral desejada por alguns caciques locais não vai se manter de pé até 2022, se duvidar, não dura até o final do ano!

Caixa gordo aguarda o próximo prefeito

Não sabemos quem será o próximo prefeito de Varginha, mas um caixa gordo estará à disposição do próximo prefeito já em 2021. O município tem um empréstimo de R$ 16,5 milhões aprovado junto a Caixa Econômica Federal - CEF. Três milhões deste recurso já estão na caixa da Prefeitura e é com este recurso que o prefeito Vérdi Melo está fazendo obras de pavimentação na cidade. Demais parcelas deste empréstimo serão repassadas já em 2021. O município vai pagar este empréstimo junto a CEF com os recursos que estão sendo pagos pelo Governo de Minas, referente aos R$ 60 milhões de reais que o Governo de Minas reteve dos recursos destinados ao município. Ou seja, se o Governo de Minas continuar honrando seu compromisso com Varginha e outros municípios credores (e tudo leva a crer que vai, pois Zema deseja se reeleger com apoio dos prefeitos), é bem possível que nos próximos quatro anos Varginha tenha uma renda extra de R$ 60 milhões nos cofres! É um dinheiro que dá pra fazer muita coisa, inclusive, eleger deputados e fazer sucessor! Será? A conferir!

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