Coluna | Periscópio
Wender Reis
Pedagogo e Orientador Social, curioso observador de tudo que causa espanto no mundo.
Educação em diálogo com a geração do agora
10/04/2021
Fui gentilmente entrevistado por estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental do Colégio SESI Aloysio Ribeiro De Almeida de Varginha. O estimulante papo serviu para reafirmar em mim a noção de que não estamos formando ninguém para depois. Todos estamos em constante formação, no entanto, as etapas são diferentes. Portanto, me sinto na obrigação de não subestimar as jovens, assim, no feminino, pois na oportunidade, conversei com jovens mulheres. Digo isso porque entendo que o mundo delas não é o de amanhã, é o de hoje. Entre os assuntos, as curiosas entrevistadoras queriam saber sobre cultura, sustentabilidade, as tecnologias e a escola.  Como ter uma educação sustentável? E a cultura? Pode ser mais inclusiva e democrática? As tecnologias mudam mesmo a escola? 

E claro, as perguntas dessas jovens estudantes também são as minhas. Questionar. Questionar. Questionar. Sempre. 

Obviamente é preciso ir além do vácuo, pensar e estudar as realidades das quais somos parte. Pensar que não é possível mudar o ambiente sem mudar a sociedade. E questionar mais. 

É questionamento que se percebe o papel contraditório da escola que, mesmo tendo sido criada sobre ideais iluministas como conhecimento, liberdade, tolerância, fraternidade, ainda assim, é uma instituição que se questiona muito pouco, perpetua preconceitos, segrega, ou seja, a escola, também é a sua própria antagonista. 

E é claro que um dos pontos altos da conversa foi sobre cultura. Pois a escola como um microcosmo social precisa estabelecer diálogo com a arte, com a cultura dos jovens sem medo de perder sua autoridade. Arte não está na escola para ensinar criança a escovar dentes, isso é outra coisa. 

Como adulto e educador, me senti obrigado a confessar que a escola que oferecemos forma para um mundo que existe cada vez menos: um mundo de alta competitividade, de muito consumo. Esse mundo não é mais possível, contudo, ainda vendemos essa ilusão na escola. Não tenho dúvida que minhas entrevistadoras concordaram que é necessário parar de tratar a sustentabilidade como um tema dentro dos conteúdos quando, pelo contrário, são os conteúdos escolares que precisam se direcionar para uma prática de ensino sustentável.

E as inevitáveis tecnologias? Não há para onde voltar, tampouco dá para saltar diretamente para um futuro de cinema. Ainda subestimamos muito os efeitos e as possibilidades do que é produto das evoluções tecnológicas.  Existe um paradoxo fundamental: ao mesmo tempo que a gente inventa novas tecnologias o tempo todo, somos muito ignorantes sobre os impactos dessas tecnologias nas nossas relações com o mundo e com os outros. Portanto, às vezes, um aplicativo que parece inofensivo pode estar cheio de possibilidades de aprendizagem.

E é claro que juntos, temos mais perguntas que respostas. Mas são justamente as perguntas que mobilizam as ações. Precisamos perseguir as perguntas certas. O pior vício dos adultos é parar de questionar. 

Dedico esta coluna a um mundo com mais entrevistadoras curiosas, com mais Greta’s Thunberg’s. Quem sabe conseguimos iluminar os pontos cegos do presente. 

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