Coluna | Prosa Caipira & Cia
Sátiro dos Reis
Jornalista e Filósofo caipira formado nas barrancas do Rio Verde, é contador de causo e gosta duma boa pescaria de beira de rio. Jura de pé junto que em vidas passadas já foi violeiro, peão boiadeiro e sanfoneiro nordestino. Atualmente cultiva abobrinhas, e outras sátiras a mais, no terreno fértil do humor descompromissado e da livre imaginação. * Preste atenção: qualquer semelhança com fatos ou pessoas pode não ser mera coincidência, hein!
Bão pá tóssi
15/11/2007
Ói nóis di novo, pelo jeito é na roça qui si encontra as mandioca grandi, gorinha memo incontraram lá pás banda do riugrandosur umas raiz da dita cuja pesano prá mais di oitenta quilo. Vá tê mandioca das grandi lá nus pampas quiá pariu, sô! Quano ieu era criança pequena, minha mãe qui era das boa di educá, mi dissi certa feita qui sieu num parassi di traquinage, anssim quias visita fossimbora ieu ia vê o quiera bão pá tóssi. Òia quieu fiquei anssim meiqui percupado purmódiquê ieu nem tava tossinu, uai! Mai num deu ôtra, loguin quias visita si fôro levei umas boa parmada na bunda. Aí foi quieu fui sabê o quiera o tár di bão pá tóssi. I fui cresceno e cumo ieu era um guri mei levadu, di veiz im quanu lá vinha o bão pá tóssi qui variava cunformi o mar feito: as veiz era só um biliscão, otras era uns puxão di oreia, i anssim ieu ia ficanu isperto i inducadu qui só veno.

Mi contaro qui o cumpadi Tiago certa veiz foi no dentista, i como tava ruim das popança i dus denti tamém priguntô logo pro Dotô: “Quantu tá custanu pá rancá um denti só?”. O Dotô arrespondeu: “Procê é só duzentos reais”. Cumpadi Tiago, isperto qui só, intão saiu cum essa: “I si fô só pá dexá ele meio bambu?”. Caipira tem cada uma num é memo? Asturdia ieu tava pensano, fiquei sabeno qui lá num sei ondi us mongi tava inu pá rua protestá contra as injustiça do governo deis, pensei qui eis tava certo memo, mais fiquei meio incasquetadu prumódiquê si elis protesta intão num é mais budista, é protestanti!

Sô simprão. Num ligo prá eroporto, tô fulo da vida cum a tar da cepeméfe, imbora num tenha cartela di chequi i nem fundu. Lá na roça nóis guarda as mueda nu cofrinho di barro cum cara di vaca, issu quano sobra ou us mulequi num pegá pámódi comprá uns tar di chupi-chupi. Quem sofri cum isso é o Bastião dono da venda, ondi tá todo mundo deveno i impurrano cum a barriga. O disgramado faiz milagre, sô! Toda caipirada tá deveno i eli cuntinua cum a venda aberta, achu quieli dévi tê muita proteção ispirituar, pelo menos é uqui as pessoa fala. Diz qui quem é bão tem proteção, dévi sê isso!

Ieu num sei si oceis tá sastifeito cum os vereadô das roça doceis, mais aqui na roça da Varginha é um tar di dá moção di aprauso prá todo mundu, Cumpadi Irineu tá aperreado cum isso, diz eli qui pensava qui moção di aprauso, era um moço arto qui ficava lá apraudino quandu us vereadô falava arguma coisa, só agora é qui eli fico sabeno qui a tar moção di aprauso é quanu elis arresorvi elogiá argúem qui na cabeça deis faz arguma coisa bem feito. Uai, i fazê coisa bem feito num é obrigação di quem faiz?

O Zéca Carrocero tava muito marrento lá na venda do Astorfo, contava qui nem bem chegô im casa antesdontonti i a muié deli foi logo contano toda isbaforida qui o relógio tinha caído da paredi e por poco num acertô a cabeça da mãe dela. Cumpadi Bento falô: “Inda bem né, já penso si pega na véia?”. O Zéca nem deu bola pro conversê, coço as oreia i resmungô: “Mardito relógio, sempri atrasadu”. Inquanto isso, lá im Treis Ponta, o capiau chegô na rodoviária pá compra um biete i foi logo falanu: “ Moço, quero uma passage pro Esbui”. “ Sinto muito”, dissi o rapaiz muito do educado, “mas não temos passage pro Esbui”. Sem graça i aborrecido, o caipira si afasto do guichê, aproximô dotro caipira qui tava sentado isperanu e lamentô: “ Óia Esbui, num sei o que ocê ando aprontano, mais o moço falo qui num tem passage procê, não!”

Contá um causo proceis, tem umas estória de caipira quinté parece mentira mainué, contece qui na roça as coisa são simpre memo, i o que na cidadi podi inté parece istranhu, cá pras nossa banda é naturar. Argumas inté pareci inventada como a do caipira qui parô o tratô qui tinha perdido o freio numa ribancera, quebrano o vidro do velocímitro e puxano o pontero pá trais, ou a do capiau qui quanu ia tomá uma cachaça tapava o nariz pá num dá água na boca i tirá a pureza da mardita. Uai, sô! Num sei pruquê to falano isso, cumo diz cumpadi Irineu, das veiz ieu rumo umas filosfia qui ninguém intendi. Mais será qui filosfia é pá intende ou pá pensa! Arrespondi aí!

Tem uns apilido qui é difícir di sabê u sentido, asturdia fiquei incasquetadu cum caipira aqui das redondeza qui o povo chma di Zé Muringa, oceis sabi u quié muringa? É aqueli negóço de barro qui usa pá ponha água, num é? Mais purmódiquê ponharô essi pilido neli inté gorinha ieu num sei. Si ocê subé contá pá nóis, viu!

Falá in apelidu, vô contá só mais essi causo proceis, inté nem lembro quem mi contô, mais diz qui si passo lá pás banda di Boa Esperança. Lá pros tempo de mir novecento i antigamenti, ia inaugurá u primero cinema da cidade, como nessi tempo os firme era mudo o pessoar arresorveu dá mais emoção no contecido, pá isso chamaro um tar de Varto pá narrá o firme inquanto as image iam passanu. Intão, antis di começa o firme o dono du cinema recomendô: “Óia Varto, tem que narrá tudo cum muita emoção pro pessoar gostá da fita e ficá invorvido ca história, tá bão?”. Magina só. Era um firme de Tarzan mudo. Apago as luiz e começaro o firme. Logo di entrada, a primera cena era um bandelefante ino na direção dum riacho pá bebê água. O Varto todo pozudu sortô logo a primera narração: “Ói lá proceis vê, lá vai os lefante bebê água...” Só qui no caminho pro riacho os elefante dicidiu vortá, desistino di mata a sêde.

Aí o Varto tascô essa: “Ói só uquis fedaputa resorvêro!”.

Si oceis gostarô num sei, ieu já tô gostano muito, manda um emeio pá nóis ou prô Yorkuti(sem víru), quieu tô ino aguá as pranta i adispois isprimentá um franguin na muranga, Já ixprimentô? Inda não? Ô coitadu! Prestenção! Cumpadi Irineu é quem diz: “Hómi véio i muié nova, só as véia num aprova”. Nóis é bão di filosfia tamém! Larga meu pé cepeméfe! Sô brasileiro, uai! Nóis votô manóis xinga. Quem polui o meiambienti acaba cum a vida da genti. Pópará di polui, sujão! Òia os musquito da dengui! Bem quieu tava avisano, hein!Tempocabô!

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