Coluna | BRASILzão
Fábio Brito
Presidente da Empresa das Artes, editora com mais de 160 obras publicadas nos segmentos de turismo, meio-ambiente e cultura; de guias de viagem a livros de arte. Os textos de Brasilzão são de sua autoria.











Feliz Ano Novo - 2017
09/01/2017

 "Segura a Nêga, O que faço eu?Segura a Nêga!

  Deixa que digam , que pensem, que falem; deixa isso pra lá, vem pra

  cá, o que é que tem?.Eu não estou fazendo nada e vocie também. Faz mal

  bater um papo assim gostoso com alguem?"

  - A música rolava solta  no pequeno restaurante-bar do centro velho de

  São Paulo. Na mesa, ao lado de um franco de pimenta malageta,livros

  espalhados,"Poemas, Contos e Crônicas da Academia Metropolitana de

  Letras, Artes e Ciéncias onde estava deliciando-me com o escrever de

  crianças de regiões carentes das grandes metrópoles

brasileiras.

 " No espelho , a máscara dirige o meu cenário , de mentiras que me

 acalmam,no espetáculo de contradições que represento "..."Os poetas

 de minha rua têm um alfabeto simples para a poesia rude de seus pés e

  mãos . Os poetas de minha rua escalam lendas no asfalto e rocha

  bruta.Estes homens têm os rostos comuns, de comum aspereza e de vida

  comungada"...

  - Fiquei em extase ao reler os jovens autores desconhecidos que

  sabiamente nos alertam ,através de suas escritas, para os mistérios

  da vida.

  "Na esquina, a pressa está tentando se tornar a vida . Promete amanhãs

 e quebra o horizonte. Mas o sol vem manso, queimando primeiro a

  escuridão. Deus está na pele aberta em poros;nos pelos arrepiados, os

  demônios e o frio. A pressa se torna a esquina passada, a vida dobra o

  sol e sobe a névoa"...

 - Na ponta da mesa ,forrada de toalha de plástico com motivos de

  flores ,a obra de Tavares de Amaral ( supervisão do então ainda jovem

  Afonso Arinos de Mello Franco) sobre a vida de Rodrigues Alves ,

  presidente por duas vezes da Província de São Paulo e um dos melhores

  presidentes da República Brasileira que instituiu como obrigatório o

  ensino médio e a vacina contra a frebre amarela.Era sempre o primeiro

  aluno da classe no renomado Colégio Dom Pedro II e por uma única vez ,

  por 6 anos, ficou em segundo lugar quando foi "desbancado" por Joaquim

  Nabuco.

  -Finda o ano de 2016 e você a falar de suas leitura. Você tem amigos?

  - Tenho amigos sim. Amigos eternos . Veja por exemplo, aqui em minha

  frente, "Tocaia Grande- a face oculta" do nosso querido e saudoso

  Jorge Amado. Tive a oportunidade, nesse ano de crise, de conviver com

  obras de meus melhores amigos, amigos estes eternos e companheiros

  constantes.

  - Sempre achei que você andava perdendo alguns parafusos. E agora me

  fala em amigos ocultos ... Já que se sente tão seguro em tal

  afirmação, quem são esses "eternos amigos"?

  - Ana de Assis, a viúva de Euclides da Cunha ( o genial  escritor e

  instintivamente assassino sifilítico), Anália Franco (pessoa generosa

  e sempre pronta para fazer o bem aos semelhantes),Castro Alves, jovem

  gênio que desafiou a estrutura escravagista e que aos vinte anos

  purificou prematuramente a nação maculada pelo sangue oriundo dos

  maltratos  aos escravos provindos em navios negreiros da longínqua

 África;José Lins do Rego, que trouxe-me de volta ao Brasil Coronelista

  dos engenhos de açucar e a vida de contrastes entre a opulência gerada

  pelos canaviais e a rudeza do cotidiano no sertão pernambucano;Rui

  Barbosa e sua vida complexa e dedicada `a brasilidade;Antônio

  Francisco Lisboa, no romance "O Rio do Tempo", de nosso querido finado

  Hernâni Donato; Machado de Assis em " O Alienista" ou "Relíquias de

  Casa Velha" ,Bernardo Guimarães ao retratar a espetacular trajetória

  de vida em  "A Escrava Isaura"; a mizade profunda entre o Homem e o

 Cavalo, no espetacular romance "O Gaúcho", de José de Alencar e ,em

 outras terras, Émile Zola que sabiamente registra a origem do dinheiro

 sujo da família Hotschild durante a reconstrução de Paris pelo Barão

  Haussmann, ou revela a miséria da vida em Paris no romance "

 L'Assomoir". Sem esquecer meu fiel amigo Honnoré de Balzac cuja

  escrita me acompanha anualmente em suas diversas obras ou ;mais

  recentemente, minha descoberta das loucuras do suiço Jean-Jacques

  Rousseau, pai miserável e reprodutor inconsequente embora tenha sido

  um grande filósofo.E por fim, chegaram até mim Eça de Queiroz e

  Vinicius de Morais ( Para Viver um Grande Amor) os quais esperam

  pacientemente em minha mesa de sala para que eu devore parte de seus

  pensamentos em suas obras que tanto me fazem companhia.Que mais deseja

  saber?

  - Hombre!! homem! , que loucura! Onde acha tempo para ler tanto?

  - Não se trata de "achar tempo" mas de dispor de tempo.A leitura me

 alimenta, me mantém em contato constante com meus Amigos Eternos e me

 leva `a reflexão do sentido da vida.Leio muito sim senhor e sou feliz

 dessa forma.

-  Feliz Ano Novo então (cada louco com sua mania...eu hein?)

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