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Iago Almeida / Varginha Online | 23/09/2020 - 13:29:44
Funcionários dos Correios retomam serviços em Varginha após greve; sindicato afirma que luta continua
Foto: Mário Henrique
(Foto: Mário Henrique)

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) decidiu encerrar a greve dos funcionários dos Correios nesta terça-feira (22), após mais de um mês de paralisação. Os grevistas se mostram contra a privatização da estatal, reclamam do que chamam de "negligência com a saúde dos trabalhadores" na pandemia e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.

A greve teve início dia 17 de agosto com objetivo da manutenção do acordo coletivo de trabalho, que havia sido homologado pelo Tribunal Superior do Trabalho - TST em outubro de 2019. Em Varginha, aproximadamente 30 funcionários, cerca de 70%, aderiram a paralisação, o que afetou muito a entrega de correspondências.

"Os trabalhadores dos Correios não tiveram outra saída, sem ser a greve. O único mecanismo que nós trabalhadores temos pra lutar contra a opressão, contra a retirada dos direitos, em defesa dos nossos empregos e sustento de nossas famílias, é a greve. Nós fomos empurrados pela direção da empresa para a greve. A direção a todo momento colocou somente no papel que os trabalhadores dos Correios era serviço essencial", afirmou  Higor Mendes, diretor do SINTECT-MG, em entrevista ao Varginha Online.

Em decisão na tarde da última segunda-feira (21), a maioria dos ministros da Seção de Dissídios Coletivos, do TST, consideraram que a greve não foi abusiva. No entanto, haverá desconto de metade dos dias parados e o restante deverá ser compensado. Além disso, somente 20 cláusulas que estavam previstas no acordo anterior deverão prevalecer. O reajuste de 2,6% previsto em uma das cláusulas foi mantido. 

"É preciso desconstruir essa falácia que a direção da empresa, através de alguns meios de comunicação, está alegando que os profissionais dos Correios tiveram reajuste de 2,6%, isso se torna uma inverdade usando a base de cálculos dos benefícios retirados. Nós tivemos uma perda no poder de compra, com a exclusão das cláusulas do acordo coletivo de trabalho, de quase 48%, ou seja, foram retirados vários direitos históricos da nossa categoria", afirmou o diretor.

Segundo a SINTECT-MG, foram retiradas 70 cláusulas de direitos em relação ao acordo anterior, como questões envolvendo adicional de risco, licença-maternidade, indenização por morte, auxílio-creche, entre outros benefícios. A entidade afirma ainda que desde julho, os sindicatos tentam dialogar com a direção dos Correios sobre estes pedidos, o que, segundo eles, não aconteceu. Alegam que, em agosto, foram surpreendidos com a revogação do atual Acordo Coletivo que estaria em vigência até 2021.  

"Os trabalhadores dos Correios perderam a maioria dos benefícios, mas não perderam a dignidade. Nós sabemos do nosso compromisso com a população, com o povo brasileiro e, acima de tudo, mostramos para as outras categorias, principalmente as empresas estatais, que é necessário lutar, encarar a realidade que é dura, mas é nossa. O nosso salário é o pior das estatais. Só o plano de saúde, pra quem é cadastrado, leva quase um terço do nosso salário. E agora arrancaram os nossos benefícios", enfatizou Higor Mendes.

Ainda de acordo com a entidade, em 2019 foram entregues mais de 10 bilhões de correspondências. 

"Por mais que falam que correspondência não existe mais, eu quero desconstruir também essa fala. O setor de encomendas é livre concorrência. Os Correios só detém a grande parte da entrega em todo território nacional, salvo engano algumas meia duzias de carretas de empresas privadas que cortam somente estradas pavimentadas, mas o Correio não, o Correio vai mesmo onde não tem estradas. E ainda assim a logística se resume em qualidade, prazo, efetividade e o melhor preço. Nós temos essa condição de oferecer a população esse serviço, quatro vezes mais baratos que a concorrência", encerrou o diretor.

Os representantes dos Correios, no julgamento, afirmaram que a manutenção das cláusulas do acordo anterior podem ter impacto negativo de R$ 294 milhões nas contas da empresa. Dessa forma, a estatal não tem como suportar essas despesas porque teve seu caixa afetado pela pandemia. 

"Agora é organizar os trabalhadores pela base, para poder dar a resposta a altura, e lutar contra a entrega do patrimônio brasileiro, porque o que eles querem fazer com o Brasil é simplesmente privatizar tudo. Os Correios nunca deram prejuízo e sempre mantiveram a união", afirmou. "Defender os Correios é defender o Brasil, é defender os diretos dos trabalhadores e é neste sentido que nós vamos caminhar, continuando organizando os trabalhadores pela base, mostrando ao povo brasileiro qual a importância de nossa empresa. O nosso papel é lutar contra todo esse projeto de privatização, de entrega do patrimônio do povo brasileiro", completou Higor Mendes.

Nos últimos três anos, os Correios apresentaram altos lucros: 2017 lucro de 663 milhões; 2018 lucro de 102 milhões e 2019 lucro de 161 milhões. E somente até o mês de julho de 2020, a direção da empresa apresentou um lucro de 614 milhões.


 

 

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