Notícias | Meio Ambiente
11/02/2019 - 11:26:38
Varginhense começa a última semana de reality sobre água no Paraguai e Argentina
Com assessoria

Inspirado em estudos de cientistas de diferentes países, o Reality Nascentes da Crise, em sua quinta etapa, expõe de forma audiovisual, o que a ciência apresenta por meio de textos e gráficos.

O Reality Nascentes da Crise chega à quinta etapa com as experiências do jornalista e ambientalista Diego Gazola ao percorrer o entorno do rio Paraguai e do rio Paraná, entre Asunción no Paraguai e Córdoba na Argentina, onde concentram as tempestades mais severas do Planeta, segundo a revista científica Nature. Nesta região os sistemas de chuvas estão correlacionados com o fluxo de vapor que desce desde a Amazônia em paralelo à Cordilheira dos Andes e às frentes frias e secas que se deslocam desde o sul do continente.  

 
Iniciado no último dia 2, o Reality começou em Asunción, capital do Paraguai que é cortada pelo rio Paraguai que nasce na região da transição entre a Amazônia e o Pantanal no Estado do Mato Grosso. Na sequência, foi apresentado as cidades fronteiriças de Encarnación no Paraguai e Posadas na Argentina, ambas às margens do rio Paraná. Posteriormente, se percorreu a cidade de Corrientes, onde o rio Paraguai se une com o rio Paraná, realizando uma última grande curva rumo ao sul do continente. No momento ainda serão explorados as peculiaridades em Santa Fé, Paraná, Córdoba, Capilla del Monte e Rosário. 
 
A produção é toda utilizando um celular para as transmissões em tempo real pelas mídias sociais Instagram e Facebook pela hashtag #nascentesdacrise. Posteriormente será editado um documentário que sintetiza toda a experiência.
 
“Acredito na linha de pesquisa de alguns cientistas que abordam a influência da Amazônia na regulação do clima de grande parte da América do Sul. Também compactuo com a linha de pensamento que associa um gradativo e acelerado processo de desertificação em partes da região sudeste e centro-oeste do Brasil em função do desmatamento e do avanço da fronteira agropecuária sobre a Amazônia”, explica Gazola.
 
As principais fontes de pesquisas que balizaram a condução do projeto são as dos cientistas Antônio Donato Nobre (INPE) do Brasil, do chileno Pablo A. García Chevesiche (Universidad de Chile) e de Jhan Carlo Espinoza (IGP) do Peru.
 
 
Sobre os Documentários Anteriores  
 
A primeira etapa produzida entre o Acre e o Peru em setembro de 2014 é balizada no conteúdo do relatório 'O Futuro Climático da Amazônia' do cientista Antonio Donato Nobre (INPE). Segundo o estudo, a umidade amazônica “faz uma curva” ao se chocar com a Cordilheira dos Andes naquela região e desce o continente banhando a parte centro-sul da América do Sul, principalmente durante o verão hemisférico. O documentário apresenta três rotas que conectam os Andes à Amazônia: a estrada de terra pelo Parque Nacional del Manu, a rodovia asfaltada Interoceânica e o rio Urubamba que conecta Machu Picchu à Grande Floresta.
 

 Já a segunda etapa abordou a foz do rio da Prata na fronteira entre o Uruguai e a Argentina e foi produzida em dezembro de 2016. Ali se encontra a segunda maior desembocadura de água doce da América do Sul. A região recebe praticamente a totalidade das águas “exportadas” pela Amazônia por meio dos “rios voadores” e são drenadas através de centenas de rios do centro-sul da América do Sul. O documentário apresenta ainda duas das dezenas de comunidades que vivem ilhas no meio do rio da Prata, assim como a visita a Dolores, cidade que foi devastada pelo mais impactante tornado já registrado no continente. 
 

 Na terceira etapa, em abril de 2017, foi pesquisado o deserto mais árido do planeta. Localizado no norte do Chile, o Atacama está na mesma latitude média da cidade de São Paulo e de praticamente toda a região sudeste do Brasil. Nessa mesma latitude, na altura do Trópico de Capricórnio, estão outros grandes desertos do Hemisfério Sul como o Central da Austrália na Oceania e o Kalahari que compreende parte da Namíbia, Botswana, África do Sul e Angola na África. O documentário expõe reflexões sobre o gradativo desmatamento, e o desconhecido e quase silencioso processo de desertificação do centro-sul da América do Sul.  
 

 
Já a quarta etapa foi dividida em duas fases no território da Bolívia.
 
O primeiro documentário aborda o entorno do Parque Nacional Amboró na região da Amazônia mais ao sul da América do Sul. O local está na mesma latitude média de Brasília, e é conhecido como o cotovelo dos Andes. O filme aborda ainda Potosí, onde está localizado o Cerro Rico, de onde no período colonial foi retirado pelos espanhóis, a maior parte da prata do continente. Sincronicamente a cidade está na mesma latitude média do trecho entre Ouro Preto e Diamantina, palco da exploração do ouro no Brasil colonial português e onde recentemente ocorreram as tragédias de Brumadinho e Mariana. Além disto, o viajante explora locais onde brotam as nascentes amazônicas mais ao sul do continente: Sucre, Cochabamba, Villa Tunari e Buena Vista. Em alguns pontos, a diferença de altitude no caminho dos Andes para a Amazônia chega a 3.500 metros em poucos quilômetros percorridos. 
 
 
A segunda fase da quarta etapa foi produzida em janeiro de 2018 também na Bolívia. O Reality partiu novamente de Santa Cruz de la Sierra, porém seguindo em direção ao norte, para a região amazônica do Beni. Ali se encontram centenas de lagoas artificiais enigmáticas conhecidas como de Moxos, que teriam sido arquitetadas há milhares de anos. Os rios Mamoré e Beni estão entre os principais que formam o rio Madeira, o corpo d’água que em Rondônia, por meio dos períodos de cheia, refletem a umidade que deixa de migrar para o centro-sul da América do Sul, potencializando as secas cada vez mais severas na região. Para essa produção, a expedição cruzou a considerada mais intransitável entre estradas bolivianas. O documentário expõe também a transição entre a Amazônia e os Andes na região de La Paz e do Lago Titicaca, passando pelo berço de uma das civilizações mais antigas do continente, a de Tihuanaco. Esse filme ainda se encontra em edição.
 
Sobre o Viajante e Produtor
 
Durante os últimos 13 anos, Diego Gazola viajou para todos os Estados brasileiros realizando pesquisas de conteúdo para guias de turismo da editora Empresa das Artes e para a Muda de Ideia.
 
 
Em 2014 foi apresentador do Reality Expedición RCN Brasil 2014 para a TV colombiana RCN Televisión. Durante a expedição, que seguiu de Bogotá até o Rio de Janeiro, teve a oportunidade de compartilhar as diversas curiosidades deste roteiro de quase dez mil quilômetros rumo à Copa do Mundo. Naquela ocasião cruzou por terra pela primeira vez uma transição entre os Andes e a Amazônia. 
 
Participou das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas: na Dinamarca (COP15), no México (COP16), África do Sul (COP17), Brasil (Rio+20) e França (COP21). Durante o Fórum Mundial da Água em Brasília realizou uma palestra sobre o projeto Nascentes da Crise. 

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