Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Indústria é o setor que mais e melhor emprega; Cemig inicia cortes de ligações; Serviço completo ou pela metade?
06/11/2020

Indústria é o setor que mais e melhor emprega

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, divulgou, no dia 29 de outubro, o levantamento do mês de setembro. Varginha continua com reação positiva na geração de empregos, contudo, perde para Poços de Caldas que teve saldo de empregos (651), com 1.806 admissões e 1.155 desligamentos. A indústria foi o setor que mais empregou em setembro, gerando saldo positivo em quase todas as regiões, devido a retomada da economia nacional. Logo após, o setor de serviços, também com saldo positivo, em relação ao mês anterior. Mas vale ressaltar que os serviços foram os mais afetados pela pandemia e vai demorar até voltarmos aos números do começo do ano no setor. O comércio e a área de construção, também estão se recuperando, com destaque para a construção civil, que reage bem a oferta de crédito e queda dos juros, o que estimula a compra de imóveis. O setor agropecuário também registrou aumento, aliás foi o único que cresceu mesmo na crise, e agora impulsionado pelas compras externas, o agronegócio está salvando a balança comercial do Brasil. Mas o destaque da notícia é que dentre todos os setores produtivos, a Indústria é o setor que mais tempo prepara e investe no seu trabalhador, formando mão de obra especializada e cada vez mais tecnológica e por consequência pagando salários maiores que outros setores. Aliás, o próprio investimento da indústria é maior e mais duradouro que outros setores, visto que não se muda uma fábrica de local com a mesma facilidade que um comércio ou uma empresa de serviços. Trocando em miúdos, a conquista de indústrias de ponta para Varginha deve ser o foco do próximo prefeito, pois a tendência e os números mostram que os melhores empregos continuam no setor industrial.

O Café e o desenvolvimento regional

Temos por Minas Gerais diversos exemplos de desenvolvimento em torno da cadeia produtiva do café. Cidades que geram emprego plantando e colhendo café, outras que geram renda armazenando e comercializando. Já algumas poucas que exportam ou mesmo industrializam o café. Onde fica Varginha nesta cadeia produtiva? No que somos bons? É preciso que o próximo prefeito de Varginha tenha sintonia com entidades como o Centro de Comércio de Café, Federação das Indústrias de MG, grandes cooperativas como Credivar e Cooxupé, entre outras instituições para que Varginha possa se posicionar e liderar investimentos em alguma parte da cadeia produtiva do café. Ou mesmo voltar a ser a referência que foi no passado no ponto de vista dos eventos da cafeicultura e tecnologia do setor. Atualmente Varginha já possui alguns investimentos na área da cafeicultura, mas o comando da cidade está claramente distante do centro das decisões do setor, o que precisa ser corrigido.

Cemig inicia cortes de ligações

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) iniciou neste mês um trabalho de corte de energia para consumidores que estão com contas em atraso. Este trabalho já pode ser visto em várias regiões de Minas, como em Conselheiro Lafayete e região, por exemplo, onde pelo menos sete mil cortes de energia elétrica estão programados. Diversos motociclistas terceirizados contratados pela empresa estão nas ruas para fazer os cortes de quem está com o pagamento em atraso. No entanto, ainda é possível evitar a interrupção de energia, desde que o consumidor entre em contato com a empresa para negociar sua conta. A medida está sendo adotada em várias cidades de Minas e deve durar até o dia 13 novembro. Isso ocorreu em virtude dos atrasos de milhares de clientes da Cemig que atrasaram as contas em razão da pandemia e, por decisão governamental, não tiveram as contas cortadas. Agora a empresa, “corre atrás do prejuízo”. Uma hora a conta iria chegar! Certamente que o fato da Cemig ser uma empresa estatal, favoreceu esta medida de alívio para a população mineira no pior momento da pandemia. Será que seria fácil assim suspender cortes de energia se a empresa fosse privada? Questionamentos assim reforçam a dificuldade que o Governo Zema terá para conseguir privatizar a empresa. Para isso, o Governo de Minas precisaria mudar a lei que exige um plebiscito da população mineira para tal venda, e ainda convencer a maioria dos 77 deputados para que a empresa fosse vendida. Vale ressaltar que o governo mineiro tem apenas 17% da Cemig, porém tem 51% das ações com direito a voto, o que garante o controle estatal.

Suplentes felizes, por quanto tempo?

Nesta semana tomou posse como vereador em Varginha o conhecido Carlinhos da Padaria. Ele assumiu em definitivo o mandato de vereador na vaga de Zué do Esporte, que renunciou ao mandato tendo em vista denúncia grave que poderia causar-lhe a perda do mandato e perda dos direitos políticos por oito anos. Antes da posse de Carlinhos da Padaria, ainda no começo do semestre, o empresário Reginaldo Tristão, assumiu a vaga deixada pelo saudoso Carlos Costa, que faleceu causando grande comoção na população. Carlinhos da Padaria já havia ficado como suplente outras cinco vezes e assumiu o mandato temporariamente em algumas situações, nunca definitivamente a plenitude do mandato, como o fez nesta semana. Carlinhos terá algumas semanas apenas como vereador efetivo, até que se encerre o mandato para o qual Zué foi eleito. Já Reginaldo Tristão, que foi eleito vereador no passado, retornou a Câmara e tenta uma reeleição, da mesma forma que Carlinhos da Padaria. Ambos já sentiram o “gostinho do poder” e querem continuar no Legislativo. Contudo, levantamentos que chegaram à Coluna mostram que nesta eleição não teremos grandes “puxadores de voto” e nenhum candidato terá uma grande votação. Na verdade, com a nova metodologia utilizada pela Justiça Eleitoral, até mesmo partidos que não cumprirem o coeficiente eleitoral podem eleger vereadores. Apenas uma regra será observada que é o número mínimo de votos: ou seja, 10% do coeficiente eleitoral. Neste caso, nenhum vereador será eleito com menos de 500 votos, contudo, não se espera candidato com mais que 2000 mil votos. E com a concorrência por uma vaga na Câmara Municipal mais apertada que nas eleições passadas, a alegria dos dois suplentes será que dura apenas até o final do ano ou dura mais?

Tempo x Resultado

A coluna não pode citar números de pesquisas pois pouquíssimas pesquisas foram realizadas regularmente e cadastradas junto a Justiça Eleitoral a fim de poderem ser divulgadas na grande imprensa. Contudo, os principais candidatos a prefeito estão fazendo pesquisas internas quase que quinzenalmente para analisar o quadro eleitoral local. A coluna conseguiu acesso a algumas delas. A liderança de Vérdi Melo continua sendo um fato, o lanterna na disputa tem mudado com o andar das eleições e realmente é uma incógnita. Mas uma outra notícia tem incomodado o comitê da reeleição: o crescimento de Zacarias Piva ! Nas conversas pela rua é nítida uma afeição crescente pelo candidato do PSL, que parece estar “sugando votos” do PSB de Rogério Bueno e de muitos daqueles que não pretendiam votar. O crescimento de Piva era algo natural, segundo os articuladores dos demais candidatos. Afinal, Piva era desconhecido e mostra-se como novidade. A pergunta que fica é se o crescimento do candidato do PSL vai continuar e acelerar ou vai cair? Se for continuar, é preciso saber até que ponto, pois a eleição bate na porta e tempo de campanha é algo determinante numa situação desta. Vale lembrar da eleição passada em que o franco favorito Antônio Silva, viu sua vitória ameaçada pela “novidade do azarão Natal Cadorini”, que se tivesse mais algumas semanas de campanha pela frente, poderia ser o atual prefeito de Varginha. Será que o tempo, que corre a favor de Vérdi, vai continuar assim, sendo implacável e decisivo? A conferir!

Perguntar não ofende

Depois que a Coluna falou do candidato a vereador que é “peixe de medalhões políticos” e recebeu mais de R$ 20 mil de Fundo Eleitoral, descobriu-se que existem mais “peixes” escondidos por ai! Você já conferiu no site da Justiça Eleitoral se seu candidato é “peixe”?

Na entrevista gravada ao Jornal Gazeta de Varginha, o atual prefeito Vérdi Melo fez o compromisso de intensificar as obras pela cidade e reduzir impostos o que fez “brilhar os olhos do eleitor e espumar a boca dos adversários”. Você brilhou os olhos ou espumou?

Um “coordenador político” e secretário municipal visto como “indigesto por muitos apoiadores de Vérdi Melo” está recluso aos bastidores da administração e da campanha. Será que o rapaz “se mancou ou foi cobrado pelo chefe para se afastar pra não dar azar”?

Com a certeza de que em 2021 o Legislativo não terá Leonardo Ciacci, muitos dos ocupantes de cargos de confiança da Câmara vão continuar lá ou vão se mudar para o Executivo no ano que vem? Será que isso é maldição ou descarrego para o Legislativo?

Serviço completo ou pela metade?

Um dos muitos assuntos falados nesta época de política em Varginha são as inúmeras obras que o Executivo tem realizado pela cidade. Principalmente obras de recapeamento, manutenção de estruturas públicas entre outras. Na região do bairro Santa Maria a Prefeitura de Varginha mantêm duas grandes e importantes obras. O complexo esportivo na avenida Zoroastro Franco de Carvalho, construído com recursos federais e a grande rotatória viária no final da mesma avenida, que também envolve a avenida Dos Imigrantes, Miguel Alves e outras vias importantes no bairro e dão vazão a enorme fluxo de veículos que passam por aquela região. Esta obra é realizada com recursos próprios do município e precisa ser concluída juntamente com outros “arremates” no trânsito da região. Não é de hoje que a coluna vem alertando sobre o “enguiço” que se tornou o trânsito na avenida dos Imigrantes. Recentemente ocorreu um atropelamento na mesma avenida, e não foi o primeiro! A via é estreita, mão dupla, recebe o trafego de ônibus em parte do seu trajeto, além de também receber o fluxo constante de caminhões carregados de mercadorias e com outras cargas pesadas, sem falar que a via é o principal caminho para a zona rural e diversos outros bairros adjacentes. Só estes motivos já ensejariam que tal avenida fosse mais larga ou que, pelo menos, não tivesse estacionamento dos dois lados. Contudo, a incompetência ou miopia do Departamento Municipal de Trânsito – Demutran não consegue enxergar tamanha falha que tem causado prejuízos e acidentes na região. Será que a conclusão da rotatória no início da avenida dos Imigrantes vai “abrir a cabeça” dos técnicos do Demutran para que aquela avenida passe por mudanças urgentes? O que impede que seja tirado o estacionamento de um dos lados da avenida dos Imigrantes para dar mais espaço ao fluxo de veículos? Será que existe algum “palpite de vereador” para beneficiar alguém naquela região? O que impede um estudo para que a avenida dos Imigrantes seja mão única? Será que o planejamento do trânsito naquela região ficará apenas na obra da rotatória ou teremos um “serviço completo” em toda a região? Na cidade do ET, devemos nos perguntar se existe “vida inteligente” no Demutran?

La vem o trem?

O Plano Estratégico Ferroviário (PEF) discutido na Assembleia Legislativa de Minas – ALMG, prevê a ligação ferroviária entre Lavras – Três Corações – Varginha, bem como diversas outras ligações no Estado. Inicialmente o plano visa corredores de carga com foco na importação e exportação de produtos, vindo em seguida o transporte de passageiros, o que de certa forma desagrada alguns. Mas é preciso lembrar que a realização do projeto, obviamente, vai depender de aporte de recursos privados, logo, o foco inicial deve mesmo ser o transporte de cargas e, sobretudo, uma unificação de trechos e “bitola férrea” para permitir que o mesmo trem que sai dos portos no litoral brasileiro chegue em Varginha. Será que o projeto vai mesmo caminhar ou será como a promessa do “centro de eventos” que o Governo de Minas prometeu e planejou há mais de 20 anos e ainda estamos esperando?

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