Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Correndo atrás do prejuízo; Modernidade e Tradição; Desgaste antecipado; Pontos não esclarecidos
01/05/2020

 Coronavírus: Governo estadual lança programa com instruções para abertura do isolamento social

O programa Minas Consciente foi apresentado pelo governo estadual sugerindo a possibilidade de flexibilização das medidas de isolamento social de forma responsável, para permitir a retomada parcial da economia. A proposta criada pelo Executivo mineiro, com participação de autoridades de diversas áreas, sugere a retomada gradual de comércio, serviços e outros setores, adotando protocolos sanitários, divididos por segmentos, que garantam a segurança da população. Caberá ao prefeito de cada município mineiro a avaliação e decisão sobre implementar ou não as medidas, bem como o acompanhamento contínuo de qualquer medida de flexibilização, para monitorar seus efeitos sobre a curva de tendência de contaminação, com possibilidade de regressão em caso de cenários adversos. Porém a orientação do governo estadual é que sigam de forma coordenada com outros municípios. O programa apresentado pelo Governo do Estado é uma forma de apoio aos municípios que não possuíam informações e apoio para adoção das medidas de combate ao vírus e a economia local. A união do Governo de Minas, com autoridades de Saúde, Judiciário, Ministério Público, setor produtivo entre outros, é um sinalizador aos prefeitos para tomada de decisões.

Coronavírus: Governo estadual lança programa com instruções para abertura do isolamento social – Parte 02

Para a Prefeitura de Varginha o programa do Governo de Minas chega em boa hora, visto que a cidade foi uma muitas em que tiveram turbulência na adoção de medidas de combate a pandemia e liberação gradual do comércio. Em Varginha o conflito de intenções entre comerciantes, Executivo municipal, autoridades médicas, Ministério Público entre outros teria sido inclusive a razão da renuncia do ex-prefeito. Ainda agora, Vérdi Melo, atual prefeito, enfrenta questionamentos quanto as medidas que adota durante a pandemia. Com o programa lançado pelo Governo de Minas, as Prefeituras terão um “roteiro de atuação” e ainda manterão a autonomia administrativa. Outro exemplo de atuação municipal foi a Prefeitura de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o governo municipal decretou o fechamento do comércio no início da pandemia, acompanhando a Capital mineira. Contudo, após tomadas as medidas de preparação para enfrentamento da doença, Betim foi uma das primeiras cidades a promover a reabertura gradual do comércio, atendendo apelo do setor produtivo para salvar empregos. Nesta semana, a Prefeitura de Betim, após o descumprimento das regras de isolamento e reabertura gradual, voltou atrás e definiu por voltar a limitar a abertura de bares e outras lojas após fiscais da prefeitura terem flagrado abusos e terem sido hostilizados por comerciantes e clientes que faziam uso de álcool. Percebam que a atitude da Prefeitura de Betim é contemplada pelo Programa apresentado pelo Governo de Minas, que vai dar informações aos prefeitos e também autonomia para monitorar e ampliar ou reduzir as medidas de isolamento nas cidades. A orientação chegou em boa hora!

Perguntar não ofende

Outras duas pesquisas foram realizadas em Varginha, por telefone, sobre a opinião do eleitor sobre as eleições municipais e os candidatos. A pesquisa verificou também a queda da confiança nas informações digitais. Você confia em tudo que vê nas redes sociais?

Qual o custo de uma campanha majoritária em Varginha? Gastos com comitê, pessoal, gráfica, combustíveis, aluguel de veículos, gravação e produção do programa de rádio e televisão podem superar meio milhão de reais. Quais legendas terão estes recursos?

Poucos cargos de confiança e aliados políticos acompanharam o prefeito Vérdi Melo e se filiaram ao Avantes. Será que este é um sinal de redução do apoio a reeleição ou apenas mais um reflexo da confusão causada pela pandemia sobre os partidos políticos?

Quando ainda vice-prefeito, a desculpa de Vérdi Melo para não atender pedidos era “não ter a caneta na mão”. Agora como prefeito, muitos pedidos ao Executivo permanecem parados. Será que a “desculpa de antes era apenas uma justificativa para falta de vontade política”?

Correndo atrás do prejuízo

O vereador Zacarias Piva, que está tentando viabilizar sua candidatura a Prefeitura de Varginha, tem percorrido gabinetes e realizado diversas reuniões para alinhavar apoio para as eleições de 2020. O edil tem muito caminho a percorrer para conquistar apoio nas mais variadas áreas da cidade. Mesmo Varginha sendo uma das principais cidades do Sul de Minas, não temos segundo turno em Varginha e isso implica que o candidato vencedor precisa mostrar toda sua força já no primeiro turno. E que a multiplicação de candidatos, mesmo os mais fracos, podem tirar votos importantes que mudam o resultado final das eleições. Nos muitos “nichos eleitorais” tradicionalmente existentes em Varginha as lideranças já se mobilizam para ter seu candidato. Áreas como a zona rural, agronegócios, evangélicos, comerciantes, servidores públicos, juventude, mulheres etc, cada qual tem seu “perfil de candidato ideal” e poucos destes perfis se encaixam em Zacarias Piva ou nos demais candidatos. Justamente por isso é fundamental o apoio dos líderes de cada setor. Vérdi Melo, que vai buscar a reeleição, tem conversa adiantada com líderes do setor produtivo, mas ainda não tem acordo de apoio. Já Zacarias Piva tem conversas adiantas como Democratas e outros partidos menores. Correndo por fora existem nomes como Anderson Martins e Leonardo Ciacci que disputam apoio do comércio e de outras legendas. Ainda parado, o PSB de Rogério Bueno parou as conversas neste tempo de pandemia, mas pretende voltar. PSB e PSD ensaiaram uma aproximação que pode dar certo em razão dos adversários comuns. Quem não se resolveu ainda é o PT, abalado pela “porretada” das últimas eleições e o desgaste nacional depois de escândalos, a legenda vai ter candidato em Varginha, só não sabe quem! A demora em definir o nome só mostra que o nome preferido do partido: Geisa Teixeira não estará na disputa. É bem provável que o deputado federal Odair Cunha (outrora maior apoiador do PT local), nesta campanha municipal, apoie Rogério Bueno no PSB, deixando o provável nome do PT na disputa “nadar sozinho nestas eleições”. A conferir!

Modernidade e Tradição

As duas últimas pesquisas realizadas na cidade por telefone, as quais a coluna teve acesso, mostram que o contratante queria saber mais que os principais nomes políticos da cidade. As pesquisas também procuravam saber “hábitos e costumes” da população local, como o eleitor se informa e em quem confia no momento da escolha do candidato. Ainda mais em tempos de pandemia com o forte isolamento os meios digitais ganharam força entre a população, o que já era esperado e se mostra um processo natural de modernização. É impossível parar a onda digital. Cada dia mais o cidadão vai procurar, comprar, pesquisar, estudar, trabalhar etc no conforto de sua casa. O mundo digital está crescendo e veio para ficar. As empresas que não se adaptarem para isso estão condenadas a morte ao longo do tempo. Contudo, esta modernidade digital vem acompanhada de “viés tradicional”, e em Varginha isso se mostra perfeitamente bem, nos dois levantamentos. Quer dizer que na busca de informação e confiabilidade desta informação, o cidadão tem buscado cada dia mais o digital, mas não abre mão da confiança já adquirida nas fontes tradicionais. Ou seja, jornais, rádios, jornalistas de confiança são procurados no mundo digital para atestar informações soltas amplamente divulgadas no mundo digital. A título de exemplo, temos a bombástica renúncia do ex-prefeito Antônio Silva, que de um dia pro outro deixou o comando da cidade causando uma enorme “onda de burburinhos” que rapidamente se alastrou pelas redes sociais. A análise de dados digitais daqueles dias mostra que o acesso a portais como Blog do Madeira, Jornal Gazeta de Varginha, Vanguarda FM entre outros portais cresceu. Ou seja, a população ficou sabendo sobre a renúncia primeiramente em suas redes de contatos e correu para confirmar a informação nos portais de notícia oficiais da cidade, buscando justamente a confirmação de seu veículo de comunicação de confiança! Isso mostra que pode-se divulgar uma informação rapidamente e sem muito custo por meio de redes sociais e “bochicho as pessoas certas”, mas esta informação só vai ganhar veracidade após conferida e divulgada pelos veículos de comunicação tradicionais, que agora também estão em meio digital. Modernidade e tradição espantosamente caminhando juntas!

Desgaste antecipado

O monitoramento das opiniões populares, principalmente por meio digital, tem se mostrado interessante na medida em que fatos macro causam reflexos nos mais distantes municípios. Ou melhor, temas e ações distantes que ocorrem, por exemplo em Brasília, tem reflexos em Varginha, onde o eleitorado comum pouco acompanha o dia a dia da Capital Federal. Vejam o caso do deputado federal Diego Andrade, líder do PSD em Minas, que conseguiu muitos votos em Varginha e terá candidato a prefeito na cidade. O deputado federal tem por estratégia política o envio de mensagens e vídeos de sua atuação parlamentar por meio de aplicativo de mensagens. Em sua maioria, as mensagens mostravam conquistas de recursos e equipamentos para cidades de sua base. Também era comum o vídeo do parlamentar no Palácio do Planalto, juntamente com o presidente Bolsonaro, em vídeos com a participação do presidente. Tais filmagens mostravam a “proximidade, amizade e apoio de Diego Andrade ao presidente Bolsonaro”. Nos últimos dias o forte embate entre Bolsonaro e os governadores e prefeitos, aliada a tradicional briga do presidente com a imprensa e a TV Globo, juntamente com a já conhecida “falta de habilidade e sensibilidade” do presidente para se expressar de improviso, tem causado forte desgaste de Bolsonaro com a opinião pública. Naturalmente que a imagem dos nomes vistos pelo eleitor como “da cozinha do presidente e que o apoiam cegamente” também foi afetada. Curiosamente os vídeos do deputado fede ral Dieg o Andrade em alegres conversas no Planalto com o presidente pararam de ser enviados aos  eleitores. Lado outro, os grupos políticos que começam a fazer oposição a Bolsonaro ou que já faziam oposição a Diego Andrade, já utilizam tais vídeos do parlamentar com o presidente para desgastar a imagem de Diego. A coluna não entra no mérito da aprovação ou reprovação de Bolsonaro, que tem pontos fortes a seu favor como as ações econômicas. Mas será “constrangedor” para quem se mostrava “da cozinha do Planalto” agora ter que esconder os aliados, ou pior, ter que falar que “não era tão assim da cozinha, e que não gozava de amizade verdadeira com o chefe da República”! Afinal, seria ainda pior dizer que “era grande amigo e agora abandonou”!

Pontos não esclarecidos

A coluna vem questionando e ainda não conseguiu resposta junto as autoridades municipais sobre o empréstimo aprovado pela Câmara para que a Prefeitura de Varginha tomasse junto a Caixa Econômica Federal R$ 26.5 milhões emprestado! A operação de crédito foi realizada? Se foi, para onde irá o recurso? O empréstimo junto a Caixa seria quitado com o crédito da Prefeitura de Varginha junto ao Governo de Minas que começaria a ser pago neste semestre. Todavia, diante da pandemia e da radical queda dos recursos arrecadados, o Governo de Minais não sabe se terá recursos para honrar o compromisso feito com os municípios. Será que Varginha vem recebendo em dia as parcelas da dívida do Governo de Minas? Qual a destinação do recurso? E se não estiver recebendo em dia as prestações do Governo de Minas, o convênio para tal pagamento, assinado com a AMM e tendo o Poder Judiciário como mediador, será “executado na Justiça”? Porque tais indagações não são respondidas? Onde esta a Câmara de Varginha para fazer tais questões? Afinal estamos em meio a uma crise de saúde com graves reflexos financeiros onde o caixa da Prefeitura de Varginha será penalizado. Além disso, cabe ainda saber se a Prefeitura de Varginha, mesmo diante deste grave quadro econômico/financeiro vai manter o reajuste dado aos servidores públicos municipais ou se os servidores, que já tem pagamento garantido mesmo sem estarem trabalhando, vão dar sua “cota de sacrifício” para a restauração do Brasil e da cidade. Será que o atual governo municipal terá a responsabilidade de responder tais questões, bem como o juízo fiscal de não “sangrar eleitoralmente” a Prefeitura de Varginha apenas para conquistar o apoio político dos servidores? Vérdi Melo terá a liderança de dialogar com os servidores a fim de rever o inoportuno reajuste, ou acordar o impedimento de novos reajustes nos próximos anos, a fim de restaurar o equilíbrio fiscal da cidade neste momento de crise? Afinal, é sabido que, se as medidas amargas não forem tomadas agora, o próximo governo municipal pode ser inviabilizado economicamente! A conferir!

 

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