Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Serviços públicos e mau atendimento; Saiu pra que?; Redução da violência; Ações médicas hospitalares
17/04/2020

 Arrocho econômico preocupa

Empresários e trabalhadores de Varginha estão preocupados com o retorno do comércio na cidade, previsto para a próxima segunda-feira (20/04). O maior problema não é o risco de contágio pelo novo coronavírus, mas sim a volta do cliente para comprar! A Prefeitura de Varginha vai reeditar o decreto fazendo as exigências para a volta gradual do comércio na cidade. O uso de máscaras, distanciamento social, higiene pessoal e fornecimento de álcool gel e luvas são algumas das medidas que estão em estudo para permitir a reabertura gradual do comércio em Varginha. Todavia, é sabido que com o isolamento social boa parte dos consumidores vão permanecer em casa e a simples abertura do comércio não significa a volta das vendas. Diversos tipos de empresas não possuem ou não se adaptaram à entrega em casa e pouquíssimas lojas possuem portais digitais de compra. Infelizmente, o despreparo do comércio em Varginha reflete o mau assessoramento de diversos comerciantes Brasil afora com “delivery e o mercado digital”. Embora este tipo de venda venha aumentando exponencialmente, nem todas as empresas “estão na rede ou possuem boa equipe de entregas”. Sem falar que os Correios estão também com milhares de entregas atrasadas e não possuem a mesma eficiência. A pandemia serviu para mostrar a muitas empresas que o arrocho econômico não deve-se apenas ao Covid-19, mas sobretudo, a falta de planejamento e modernização de muitas empresas. Prova disso é que as empresas que já possuem boas ferramentas digitais de venda e eficientes redes de entrega, neste momento de isolamento, estão aumentando as vendas. Como diz o ditado, “enquanto alguns choram, outros vendem lenços”.

Serviços públicos e mau atendimento

O tempo, eficiência e qualidade dos serviços públicos estão de mal a pior com a pandemia global. No Brasil onde os serviços públicos já não são bons, a falta de atendimento presencial piorou as coisas. Vale ressaltar que mesmo no “mundo digital crescente” ainda existem famílias e empresas que não têm acesso a internet ou informações e hábito para navegar na rede e usar a tecnologia digital. Vejam que, lá atrás, quando os políticos locais prometeram internet wi-fi gratuita nas praças e matérias de inclusão digital nas escolas, as ideias não caminharam por falta de interesse e cobranças da sociedade, hoje isso faz falta para milhares de famílias de Varginha. Até mesmo no comércio local, melhor estruturado com a existência da centenária Associação Comercial de Varginha – ACIV, não são muitos os projetos de “modernização digital” das empresas. Resultado: o conhecido péssimo atendimento do comércio de Varginha também se estende ao atendimento digital. Certamente que vai haver enorme demanda de investimentos digitais após a pandemia do Covid-19. As empresas e instituições estão entendendo que é preciso estruturar melhor os canais de comunicação e segurança da comunicação para que a economia, saúde e outros setores fundamentais para vida humana não sejam tão impactados por pandemias assim. E vale dizer que, tradicionalmente, a cada 100 anos o mundo passa por uma doença que tumultua globalmente a sociedade. Será que os serviços públicos brasileiros e a iniciativa privada (principalmente o comércio) estão prontos para esta necessária mudança? Será que vão aportar recursos para esta importante modernização depois que passar tudo isso? E quanto as empresas de tecnologia locais e regionais, tem estrutura e tecnologia avançada para nos atender nas demandas mais básicas?

Perguntar não ofende

Redes sociais proliferam em tempos de pandemia e a internet que deu “voz a todos, democratizando opiniões, também amplificou a mensagem dos idiotas, multiplicou o ódio e mentiras entre a população”. Você confia em tudo que recebe no Facebook e Watshapp?

PSD e PSB terão candidatos a prefeito em Varginha? A posse oficial de Vérdi Melo como prefeito de Varginha, facilita uma negociação com o PP ou sacramenta a divisão da base atual de apoio ao governo? Antônio Silva perde peso como cabo eleitoral neste momento?

Quem vai “policiar as redes sociais” para impedir os crimes eleitorais e fake news que estão sendo perpetrados em Varginha? A Justiça Eleitoral tem condições de analisar e dar respostas rápidas aos muitos crimes virtuais que podem influenciar no resultado eleitoral?

Será que as eleições municipais serão transferidas de data ou permanecerão programadas para outubro deste ano? Em caso de mudança para dezembro a Justiça Eleitoral vai reduzir o tempo da transição ou haverá dilatação dos atuais mandatos de prefeitos e vereadores?

Preocupação eleitoral

Chegou a coluna a informação de que, pelo menos até agora, a renúncia de Antônio Silva e posse de Vérdi Melo como prefeito oficial, em nada ajudou a imagem e analise da população quanto ao atual prefeito e sua esperada pretensão de reeleição nas eleições municipais. Embora alguns articulistas digam que agora Vérdi Melo tem “a caneta para fortalecer seu desejo político”, na prática, os primeiros levantamentos populares realizados por telefone com eleitores de Varginha mostam que Melo perdeu “apoio e engajamento” do eleitor diante dos problemas enfrentados diante do coronavírus. Para boa parte da população o governo municipal não tem atuado bem no caso, a celeuma com o comércio e a renúncia não contribuíram com a imagem do governo e Vérdi Melo não é visto como “liderança forte” neste momento tenso. As informações são de levantamento, feito por telefone, junto a 800 eleitores ouvidos em Varginha nos últimos dias. Talvez a informação já tenha chegado ao novo prefeito, pois uma das primeiras ações deste novo governo municipal foi “se entender” com o comércio para a reabertura gradual das lojas. Já o comércio local também não tem muito destaque no levantamento ouvido. Para boa parte da população, não é possível indicar um “líder setorial” que represente o comércio na cidade. Ou seja, embora todos saibam que o comércio é importante para a cidade, neste momento, ninguém “capitaliza os louros de ser o líder” do comércio local. A Associação Comercial de Varginha, embora oficialmente representante do setor, não se personifica como a líder da área, nem mesmo consegue colocar seu presidente como legítimo representante do setor, segundo a percepção da sociedade ouvida. A conferir!

Saiu pra que?

Se o ex-prefeito Antônio Silva renunciou ao comando da Prefeitura de Varginha por não querer ser responsabilizado por mortes pelo Covid-19 na cidade, ou quebradeira e desemprego gerados em Varginha pela pandemia, de nada adiantou a renúncia! Pelo menos do ponto de vista político, afinal o ex-prefeito continua rotineiramente em suas redes sociais “batendo boca e dando pareceres” (agora sem validade administrativa) sobre os problemas da cidade, principalmente sobre as ações públicas referente a pandemia e questões administrativas e políticas do governo municipal. Se o ex-prefeito renunciou para não ser mais responsabilizado por nada, porque continua respondendo por aqueles que ele não mais controla ou articula? Ou será que Antônio Silva continua como “eminência parda” das ações e decisões municipais, mesmo depois da renúncia? Não sabemos! Certo mesmo é que, nenhuma provocação ou “conversa atravessada” fica sem respostas no meio digital! O ex-prefeito pessoalmente, ou seus apoiadores tem feito defesas e ataques ferozes a qualquer questionamento do político e suas gestões. Basicamente o alvo principal das falas do político nas redes sociais é o Partido dos Trabalhadores, principalmente as gestões municipais passadas e a gestão do ex-governador petista Fernando Pimentel. Em que pese as trapalhadas e erros dos governos petistas passados (que foram muitos inclusive), fato é que a população varginhense não viu com “bons olhos o arrego de Antônio Silva neste momento, renunciando ao cargo no momento em que a cidade mais precisava de um prefeito “firme, experiente e pronto a assumir desgaste pelo bem comum da cidade”. Não resta dúvida que seria bem mais fácil para Antônio Silva do que para Vérdi Melo (que busca a reeleição) a decisão de medidas técnicas duras e impopulares neste momento para proteger a cidade, sua população e economia. Mesmo tendo motivos pessoais inquestionáveis para ter renunciado, Antônio Silva terá que escutar e colocar no “currículo político” que seu ato foi visto pela sociedade como “fraqueza política”, talvez por isso tenha chocado todos que tiveram conhecimento do fato!

Insuficiência eleitoral

Pouquíssimos partidos em Varginha se prepararam para as eleições municipais, a maioria não vai conseguir lançar 24 candidatos a vereador como permitido pela Justiça Eleitoral. Os principais problemas foram convencer as pessoas a serem candidatos, principalmente mulheres que, por lei, precisam ser 30% dos candidatos. A cota feminina é definida por lei federal. Também por lei, o Fundo Partidário que possui bilhões de reais não tem regras claras para a destinação e distribuição nos municípios, ou seja, os caciques eleitorais que vão dividir os recursos da forma como quiserem. Traduzindo em miúdos, em Varginha apenas duas legendas tem certeza de receber recursos substanciais do Fundo Partidário: PSD do deputado federal Diego Andrade e PP do também deputado federal Dimas Fabiano. Muito embora outras legendas como PSB, MDB e PSDB, mesmo sem ter medalhões eleitos por Varginha, também digam que terão participação expressiva dos recursos públicos. Com a falta de candidatos e a incerteza de recursos, os candidatos que ousarem sair, vão precisar muito dos apoios próprios locais e menos dos partidos e caciques políticos. Neste ponto, as redes sociais, trabalhos voluntários e militância política vai ter muito valor. Poucos partidos ou candidatos possuem estes atributos. A conferir!

Redução da violência

Alguns pontos positivos do isolamento social estão sendo percebidos em Varginha e todo o Brasil. A redução dos números da violência! Com a menor circulação de pessoas nas cidades e nas estradas, inexistência de grandes eventos e aglomerações, caíram os números de assaltos, roubos, mortes no trânsito etc. Isso inclusive tem ajudado a reduzir o volume de doentes nos hospitais o que contribui para abrir espaços para o tratamento da Convid-19. Mas como estamos em ano eleitoral e temos instituições de segurança pública em Varginha e em Minas Gerais que são extremamente políticas, não se assustem se aparecer por ai algum governo ou instituições se gabando por “redução da violência”! Há sempre um “marqueteiro tupiniquim querendo ganhar moral com o chefe ou político querendo ganhar votos” sem nenhum mérito! Aliás, mérito mesmo seria se as muitas instituições públicas que não estão em plena atividade com a pandemia reduzissem seus enormes gastos para que o recurso fosse reinvestido no combate a doença, apoio a população carente e a economia popular. Pelo que parece, o corporativismo poderosíssimo dos servidores públicos municipais, estaduais e federais, vai continuar ditando que a maior parte do peso e do custo da pandemia vai mesmo ficar nas costas do pobre contribuinte da iniciativa privada.

Ações médicas hospitalares

Quais os investimentos e ações realizadas pelo Hospital Regional de Varginha neste momento em que a população precisa daquela instituição no combate ao Covid-19? Alguém recebeu mensagem de whatshapp do presidente do Conselho de Administração do Regional informando medidas de apoio do Hospital Regional para a população de Varginha? Alguém viu informações de ações de saúde pública dos profissionais da saúde do Regional junto a asilos, creches ou entidades carentes que atendem a população em Varginha ou outras cidades atendidas pelo Hospital Regional? Possivelmente não! Ocorre que quando se trata de pedir dinheiro público, denegrir adversários políticos e se auto promover o comando do Conselho de Administração do Hospital Regional tem bem mais “força de vontade” de atuar! Talvez por isso, a incompetência gerencial, despreparo emocional e truculência do comando do Conselho de Administração do Regional tenham relegado aquele importante hospital uma atuação periférica e apagada no combate a pandemia. Neste momento em que a UPA, Hospital Bom Pastor e até mesmo estruturas menores como as Unidades Básicas de Saúde - UBS ganham destaque no trabalho de apoio a comunidade, o Hospital Regional tendo uma grande estrutura e nomes preparados em seu corpo clínico se apequena neste esforço conjunto de saúde. Uma pena! Certamente que, depois que acabar tudo isso, o novo prefeito e também o Governo de Minas vai precisar analisar a atuação dos hospitais públicos neste importante evento dramático da história. Não seria difícil imaginar que o governador Zema, que vem perdendo popularidade, e mesmo o governo municipal que precisa de competência no comando do Hospital Regional vão querer mexer onde for preciso para assegurar mais eficiência as instituições públicas de saúde!

 

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