Coluna | BRASILzão
Fábio Brito
O editor e jornalista Fábio Brito é responsável pela edição e publicação de centenas de títulos voltados às realidades do Brasil. Durante anos esteve à frente de selos editoriais importantes e renomados e no presente momento impulsiona, através de consultorias específicas nas áreas editorial e cultural, os selos Bela Vista Cultural e FabioAvilaArtes. A coluna Brasilzão, inicialmente através do Jornal Correio do Sul, de Varginha, foi iniciada em 11 de julho de 2004 e tem contado com a importante parceria do Varginha Online na disponibilização de vivências de Fábio Brito por todo o Território Nacional e por países por onde perambula em suas andanças.
Se Uberaba soubesse..
31/12/2019

Alguns países como Espanha, Portugal, República Tcheca, Guatemala, Costa Rica, entre tantas outras nações, tomaram consciência da importância da preservação de seus patrimônios arquitetônico, cultural e ecológico e, como indutores de destinos turísticos e fomento a negócios e fonte de renda para boa parcela da população, levam a sério o respeito ao seu passado.

Uberaba, a outrora bela e elegante cidade mineira, hoje inculta e politicamente desorientada, fechou os olhos para os seus encantos erigidos com o passar dos anos de suas 20 décadas de existência - em períodos tímidos e iniciais, tempos de aventuras e momentos áureos e de crescimento exacerbado e desorientado - sob a irresponsabilidade de mandatários, de representantes da Comunidade Local que têm estado despreparados para a missão de servir (pra valer) os seus cidadinos.

A cidade está árida, ruas inteiras não têm árvores. Podemos citar várias dentre elas como a Avenida Fidélis Reis, a Avenida Santos Dumont, entre tantas outras...

Os tímidos esforços realizados em véspera de ano de eleições municipais (2020) para melhorar os aspectos visuais da cidade estão insuficientes, embora com resultados satisfatórios que comprovam que se Uberaba estiver esteticamente bem cuidada, a cidade poderá recuperar parte de seu charme de outrora e, desta forma, revitalizar sua área central, embelezar as suas praças e recuperar os logradouros públicos existentes para se transformarem em locais propícios ao lazer de seus habitantes e de seus visitantes.

O uberabense que lucra com a destruição do patrimônio arquitetônico e ecológico de sua cidade natal é o mesmo Ser que adora ir a Paris, a Roma, a Miami, a Buenos Aires ou a Colônia do Sacramento, a pitoresca cidadezinha portuguesa do Uruguai.

O comportamento dos uberabenses me faz pensar no predatório, egoísta e mal intencionado slogan americano "Forests there, Farms here" (Florestas lá, Fazendas aqui).

O slogan da rebenta Uberaba parece ser "Cultura e Patrimônio lá, Horrendos Prédios aqui"

Parece que o inconsciente coletivo uberabense brada: "deixem-nos livres para apagar os vestígios arquitetônicos do passado de nossa cidade". Afinal, somos capitalistas, caciques selvagens nas terras dos Caiapó!!

Porque não fazer com que a cidade evolua, se modernize e cresça de forma ordenada, com proposições para a modernidade em harmonia com a preservação de sua história?

Os inconvenientes bancos de cimento, na Praça Rui Barbosa - Coração da Cidade, finalmente foram substituídos por outros mais confortáveis e práticos, porém o coreto (que não é a construção original) ostenta desenhos (grafites) inadequados e de mau gosto no centro-alma da Capital Mundial do Zebu. Quem teve esta estapafúrdia ideia? Quem a autorizou?

Precisamos rever os critérios para que Uberaba possa estar esteticamente bela e venha usufruir com a premiação do selo UNESCO para o Complexo Geopark.

Entretanto ouço a música "Recuerdos de Ypacarai". Lembro-me de minha mãe, na fazenda, cantando na varanda com um filho ao colo, outro agarrado em seus braços e um terceiro, com o olhar vago, mirando o infinito... Como seria a vida no Paraguai?

"Aí que saudades de Uberaba", "berababãossô", exclamava a jovem mãe, sorrindo e com lágrimas nos olhos...

A Uberaba outrora elegante, interiorana, calma, arborizada, segura e amigável está agonizando...

Lutemos para que Uberaba se transforme na Capital Brasileira Cultural do Triângulo Mineiro, continue sendo a Capital Mundial do Zebu e esteja preparada para um olhar mais carinhoso para consigo própria; através das ações, em prol do bem da comunidade, a estarem realizadas pelos uberabenses.

 

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