Coluna | BRASILzão
Fábio Brito
O editor e jornalista Fábio Brito é responsável pela edição e publicação de centenas de títulos voltados às realidades do Brasil. Durante anos esteve à frente de selos editoriais importantes e renomados e no presente momento impulsiona, através de consultorias específicas nas áreas editorial e cultural, os selos Bela Vista Cultural e FabioAvilaArtes. A coluna Brasilzão, inicialmente através do Jornal Correio do Sul, de Varginha, foi iniciada em 11 de julho de 2004 e tem contado com a importante parceria do Varginha Online na disponibilização de vivências de Fábio Brito por todo o Território Nacional e por países por onde perambula em suas andanças.
São Paulo nocauteada
06/11/2019
Foi uma semana intensa. Intensa e tensa! Muitas vezes em nossas vidas a tensão é indispensável para evoluirmos. A evolução, um constante exercício, faz parte da dinâmica da vida de um editor. O editor busca sempre conhecimento. Este conhecimento provém de pesquisa e buscas e, sobretudo, de muita leitura. É necessário também que haja imaginação. Que se pense no mercado, nas pessoas, nas mentes ávidas à busca de conhecimento, de leitura e de lazer cultural.

Fico extremamente satisfeito com a possibilidade de ver ideias se transformando em produtos. Neste momento, estamos terminando a produção de uma publicação, uma história em quadrinhos, a qual permite que dois personagens contem, aos poucos, a história de São Paulo, desde a sua fundação até inícios do século XX. Desta maneira, como editor e leitor, descubro outras faces e outras facetas da terrível São Paulo. Terrível porque transformou-se em uma metrópole desordenada, sofrida, maltratada e, sobretudo, sem planejamento. Apesar dos pesares, ainda restam alguns pontos interessantes, algumas edificações que nos fazem sonhar com o que foi essa cidade no passado, mesmo quando era considerada uma localidade triste e depressiva. Mesmo quando ela estava na bruma das montanhas da Serra do Mar, mesmo quando o ar que se respirava era úmido e fresco.

Alguns descreveram que o ruído das ruas de São Paulo era dilacerado, ou seja, que o ruído era contemplativo, ou seja, que o ruído só era ouvido, na verdade, quando os carros de bois passavam pelas estreitas Ruas da Vila. E, por suposto, era uma Vila, uma pequena Vila, com cerca de 20 mil habitantes em um local triste, enfadonho, quase tétrico. Esta sensação de ter que viver de uma forma monótona, no tédio, é algo que me faz sonhar. Eu queria ter tido este privilégio. Eu queria ter tido sobretudo a oportunidade, não a propriedade, de estar vivo naquele momento, mas a possibilidade de usufruir do que foi São Paulo quando ela ainda era rodeada de floresta virgem, de índios, de animais silvestres e selvagens também e, sobretudo, rodeada de uma paz que devia existir em noites de lua cheia, com o céu estrelado, no breu da noite, quando o canto longínquo de um pássaro, o ruído do farfalhar de asas durante a noite, os trovões que estariam certamente anunciando as chuvas que deveriam chegar naquele período das águas de março e quando muitas pessoas ouviram os primeiros pingos da chuva nas telhas de barro de suas casas.

Tudo isso desapareceu, o ranger da porta não existe mais, a impressão de ouvir passos na varanda ou no alpendre também não existe mais. O pio do pássaro molhado perdeu-se no tempo, perdeu-se no horizonte da continuidade ou da descontinuidade da vida. Onde está São Paulo? Onde está a garoa? Onde está aquele friozinho delicioso que te fazia não temer a noite, mas sim adorar estar acomodado em tua cama, no teu leito, em tua casa, com tua família? Deus meu, o que aconteceu? Por que São Paulo não existe mais? O que está acontecendo com o Planeta, na verdade? O que está ocorrendo com São Paulo? Com o Brasil? Com as nossas águas? Com as nossas florestas? Com os nossos animais? Com as nossas mentes e com as nossas famílias? Que Brasil é esse?

Mesmo assim, de uma forma obstinada, como editor, saio perambulando pelas ruas de São Paulo. Aquelas ruas que ainda não foram destruídas e que guardam o semblante de alguma coisa, de alguma edificação, de algum momento, de algum vestígio do século XVII, dos séculos XVIII, XIX e do século XX. Mas o século XX, na sua segunda metade, destruiu o que havia de São Paulo. A Avenida Paulista, que surgiu no final do século XIX, já em meados de século XX não existia mais. A construção foi rápida e a destruição mais rápida ainda.

O que ocorre com São Paulo? Por que a maltratam? Com que direito? Esta é a grande questão. Como fazer com que São Paulo recupere parte do brilho de outrora? Parte de sua tranquilidade? Parte de seu charme? Parte de sua bondosa alma que acolhia a todos, que nunca a respeitaram?

São Paulo precisa reviver. Renascer. Estar revitalizada; refeita. Precisamos amar São Paulo. Sobretudo nós outros que viemos de fora; das Minas Gerais, do Nordeste, do Sul do País, de outras ações do Continente Africano, do Continente Latino-Americano....

Enfim, o que se passa conosco? Por que estão destruindo São Paulo? Esta é a questão que me atormenta, me angustia e me entristece!

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