Coluna | Periscópio
Wender Reis
Pedagogo e Orientador Social, curioso observador de tudo que causa espanto no mundo.
Ilusões perdidas
08/06/2017
Você menos o mundo ao seu redor quanto dá? O que sobra de você sem as pessoas de sua convivência? Seu companheiro ou companheira, seus familiares, amigos, colegas, desafetos? Quem é você sem sua casa, seu carro, seu tênis, seu videogame? Quem é você sem o seu trabalho? Sem a sua escola? Sem a sua igreja? Você menos o mundo ao seu redor quanto dá? 

Você mais o mundo ao seu redor quanto dá? Que soma você e as pessoas de sua convivência formam? Seu companheiro ou companheira, seus familiares, amigos, colegas, desafetos? Quem é você com sua casa, seu carro, seu tênis, seu videogame? Quem é você com seu trabalho? Com sua escola? Com sua igreja? Você mais o mundo ao seu redor quanto dá? 

Quem é você no mundo a sua volta? Que mundo é este ao seu redor?

Em Ilusões Perdidas, obra prima de Honoré de Balzac, Lucien Chardon, um jovem provinciano, dotado apenas de sua inteligência, dirige-se à capital francesa para fazer fortuna. Sua família e seus amigos confiando cegamente em seu talento, projetaram todos os seus desejos no sucesso do rapaz. Ao chegar à cidade-luz, abandonado pelo provincianismo aristocrático que antes o defendia, Lucien viu no jornalismo a oportunidade para se vingar dos seus novos inimigos e ascender na sociedade.

Talentoso, o jovem consegue uma ótima colocação em um jornal liberal. Descobre ali o repugnante segredo dos articulistas que, ao redigirem, tomavam o partido de quem melhor lhes conviesse; quase sempre, daqueles que pagavam mais. Lucien estranhou a novidade, porém não hesitou em adotar o método, em busca de fama e fortuna. Passou então a ser temido e respeitado entre os que antes o humilharam, contudo, ainda um estranho no ninho.

Lucien mais o mundo ao seu redor somou-se em luxos e convivência com a nata da sociedade, o que o fez deixar para trás seus amigos e seus princípios em nome de uma ambição desmedida e doentia. A inveja e o interesse eram os combustíveis daquela sociedade hipócrita, cuja lógica Lucien absorveu rapidamente. Enxergando novas oportunidades, mudou sua posição política e apoiou monarquistas. Quando a fama do protagonista incomodou os velhos caciques da imprensa, armaram ciladas para destruir a reputação do jovem que no final, descobre-se só e triste, insatisfeito com tudo e com todos e sem um vintém para ajudar sua família. 

Na mesma velocidade com que obtivera todos os seus sonhos, perdera a glória que lhe era prometida. “Quem era ele nesse mundo de ambições? Uma criança que corria atrás de prazeres e vaidades, sacrificando tudo a esse sonho”, Balzac. 

 

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