Coluna | BRASILzão
Diego Gazola / Fábio Brito
Diego Gazola,(MTB-SP-44.350), é repórter-fotográfico.Graduado em Comunicação Social pela UMESP-SP, tem se especializado em fotojornalismo de viagens. Em cinco anos, já percorreu mais de um mil municípios em todo o Brasil para avaliação dos atrativos e documentação fotográfica dos Guias Turístico-Culturais da editora Empresa das Artes.As fotografias de Brasilzão são de sua autoria.
diegogazola@uol.com.br

Fábio Brito. Presidente da Empresa das Artes, editora com mais de 160 obras publicadas nos segmentos de turismo, meio-ambiente e cultura; de guias de viagem a livros de arte. Os textos de Brasilzão são de sua autoria.
fabiobritocritica@yahoo.com.br
Penedo ou Penedo? Penedo!!!
30/03/2009

Roberto dos Santos, autor do Bois-Bumbá.

– Onde fica a cidade de Penedo?

- Penedo fica a seis quilômetros da Nova Dutra, próximo a Itatiaia e no caminho para a pitoresca Visconde de Mauá. Acertei?

- Errou, meu amigo! Dessa vez eu te peguei. O bairro de Penedo, uma colônia finlandesa, efetivamente se encontra no Estado do Rio de Janeiro e é um belíssimo lugar. Ali existem cachoeiras e mais cachoeiras, lagos, rios, enfim, uma natureza exuberante, além de ser um lugar onde você pode degustar a melhor truta do Brasil. Assada, grelhada, ensopada, como desejar. Mas a cidade de Penedo...

- Já sei! Encontra-se em Alagoas, às margens do rio São Francisco, distante apenas 90 minutos de Maceió e, certamente, é uma das melhores cidades históricas do Brasil.

- Quando esteve em Penedo?

- Recentemente. Após enfrentar a perigosa e maltratada BR-101, de Recife para Maceió, tive a impressão de chegar ao paraíso quando tomei a estrada vicinal que me levaria a essa cidade ribeirinha. Saí de Maceió bem cedinho, às 5 horas da manhã. O sol já vinha despontando, e me preparei para chegar ao meu encontro que ocorreria às 11 horas.


Igreja Nossa Senhora da Corrente, belíssimo patrimônio do século 18.

A poluição visual também ocorre em Penedo.

- Que absurdo! Seis horas para uma viagem tão curta?

-Sim senhor! Horas bem vividas! Inicialmente dei carona a um policial – o senhor Wilson – que me relatou as dificuldades de trabalhar dentro da lei – e do horário – em uma belíssima região onde o transporte coletivo é precário e os salários baixíssimos. Ele saltou no meio do caminho e, quando buscava a estrada para Penedo, em Piassabuçu, outro policial se aproximou e solicitou carona. Reiniciei o interrogatório ao perguntar-lhe sobre a região, sobre sua vida pessoal e sobre os preparativos legais e de segurança para o carnaval que estava por vir. Ele acompanhou-me até o centro da cidade, quando percebi que ainda faltavam 40 minutos para o momento da minha entrevista.

- Entrevista? Que entrevista era?

- Havia agendado com a Secretaria de Turismo às 11 horas em ponto. Fui recebido por uma jovem loura, bonita, elegante, que deixara Vancouver, no Canadá, para assumir o cargo como responsável pelo turismo no município.


Igreja e Convento de Nossa Senhora dos Anjos, construída pelos franciscanos.

A imponência dos casarões na cidade histórica.

- E como foi o dialogo com essa bela jovem?

- Muito positivo! Por meio da Secretaria, tive a oportunidade de conhecer o prefeito e outras pessoas que me auxiliaram a desvendar a encantadora Penedo, com seus mistérios ocultos, suas paixões não reveladas, seu rico e belo patrimônio cultural, arquitetônico e imaterial. E com a magnífica e enternecedora visão que dali se tem do Velho Chico.

- Onde se hospedou?


Urge recuperar o cinema da cidade.

A Secretária de Turismo, o Secretário de Esportes, o editor e amiga de Penedo.

- No hotel São Francisco, uma edificação dos anos 60 que destoa dos blocos harmônicos dos prédios históricos do centro antigo. Entretanto, a vista que se tem da janela do quarto do hotel é impagável! Pude avistar, em diferentes momentos do dia, as torres da igreja de Nossa Senhora da Corrente, imponentes, majestosas, quase místicas em contraste com as diferentes luminosidades refletidas pelas águas do rio São Francisco. Essas duas torres pareciam abençoar o Velho Chico em uma prece solene, melancólica e constante, como que para impedir que ocorresse a transposição de suas águas benditas e volumosas, que percorrem vários Estados nordestinos e fornecem o sustento a milhões de pessoas dessa bela e sofrida porção brasileira.

- O que se pode visitar em Penedo?

- Meu amigo, é inacreditável! Os muros de Penedo abrigam cultura, lendas regionais, arquitetura colonial e uma natureza farta que percorre o leito caudaloso do rio até a foz. A visão que se tem da cidade durante um passeio de barco é indescritível: Penedo parece um lindo presépio incrustado na beira do rio.


Manifestações artísticas dos anos 60 no hotel São Francisco

O Rio São Francisco convive na história de Penedo.

- O que mais o agradou quando lá esteve?

- É difícil responder. No final de cada ladeira, de cada beco, de cada rua sinuosa, desponta uma surpresa agradável. Ao estar ciente de que, de pela primeira vez em minha vida, vislumbrava o rio São Francisco, me dei conta de que há mais de quatro séculos essa região, terra indígena, tinha sido desbravada por aventureiros portugueses e outros invasores holandeses. O povoado tornou-se vila em 1636 (Vila de São Francisco) e foi elevado à categoria de cidade em 1842 .

- Descreva-me um pouco os atrativos de Penedo.


Vida saudável nas margen do Velho Chico.

A influênciada religião Católica no acervo arquitetônico local.

- Em Penedo tudo é atração. A catedral Diocesana de Nossa Senhora do Rosário é imponente. Ao seu lado, encontra-se a Prefeitura e a Câmara Municipal. Dizem alguns historiadores que a igreja de Nossa Senhora da Corrente deve o seu nome ao capitão José Garcia Reis, um português que fugiu para o Brasil e trouxe consigo a corrente que o algemara. Para agradecer à virgem pela sua libertação, iniciou a construção da igreja e nela enterrou a corrente que o maltratava.

-Tudo em Penedo é espetacular, suas festas, suas igrejas, seus casarios históricos, o antigo Palácio Episcopal... Porém, o que não dá para esquecer mesmo é o delicioso jacaré ao dendê.


Todos esperam que a Casa de Penedo seja salva.

Exemplo de recuperação do patrimônio.

- É muito bom mesmo! Mas para acompanhar uma boa cerveja gelada eu não dispenso uma pituzada, a deliciosa porção de camarões de água doce que nos leva aos céus...

- Aos céus da boca, você quer dizer! Precisamos voltar a Penedo quando ocorrerem festas populares e tradicionais, para lembrar-nos que o Brasil autêntico ainda existe e que essa cidade é um belíssimo exemplo que comprova a diversidade cultural de nosso Brasilzão.

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