Coluna | Prosa Caipira & Cia
Sátiro dos Reis
Jornalista e Filósofo caipira formado nas barrancas do Rio Verde, é contador de causo e gosta duma boa pescaria de beira de rio. Jura de pé junto que em vidas passadas já foi violeiro, peão boiadeiro e sanfoneiro nordestino. Atualmente cultiva abobrinhas, e outras sátiras a mais, no terreno fértil do humor descompromissado e da livre imaginação. * Preste atenção: qualquer semelhança com fatos ou pessoas pode não ser mera coincidência, hein!
Nu duzotro é refresco
01/07/2008

Pois é, nóis num é muito istudado mais intende um cadiquinho di cada coisa. Dis qui a Ordi dus Divogadu tá apertano nas prova pá módi vê si meióra a qualidadi das iscola di direito né? Sabi qui eis tem razão, asturdia vi um divogadu, qui si diz muito istudado, aqui na nossa roça, arrotano sabedoria no bar do Vitinho, falano qui táva percisano mudá o tar di código penar, aí, cumpadi Hilário, qui é metido tamém a sabê das coisa priguntô: “ mais pá módiquê hómi isso tem qui mudá?”. O cabôcro divogado oiô prêli i arrespondeu: “é preciso acabar com a discriminação contra os homens”. Cumpadi Hilário ficô sem intendê nadica di nada, puis até intão quem eli via recramano di discriminação era as muié, intão priguntô: “ Ara, pó ixpricá meió?”. O dito divogadu, qui tamém já tinha tomadu além da conta, falô: “Vocês da roça num sabe, mais o Código Penal só pune os homens quando matam alguém, então tem qui começa punir as mulheres”. Contá proceis, toda caipirada qui táva no butéco fico sem intendê nada. Aí o tar divogadu continuô: “ hoje só si pune homicídio, tem qui começar a punir mulhercídio também, até as crianças são punidas pois já existe o infaticídio...”. Depois dessa Cumpadi Hilário, pidiu pá i no mitório, inquanto Cumpadi Irineu com sua sabidoria arresorveu fazê um brindi pá inducação. Adispois inda tem genti ralanu pá intra na facurdadi.

Mudano di assuntu, outra veiz falei dos dinossauru qui im tempo de eleição cumeça sai da tóca pá vê si mama di novo nus cofre púbrico. Intão saiu numa revistá inté a foto di um deis, aqui da roça da varge pequena, tratanu di pintá u cabelo pá parece mais jovem. Cá pá nóis di qui adianta parecê mais jovem, si as idéia i os comportamento são antigo? Falanu nisso nóis arresorveu cunvida pá uma intrevista muito séria um rapaiz qui táva quereno sê candidato a prefeito mais vai tá di vici dus dinossauro, um tar de Elisandro Goiaba. Cunvidei tamém pá participá da intrevista o Cumpadi Irineu i o Cumpadi Hilário. Daqui pá frenti, pá módi economizá ispaço vamu só tratá tanto os inrevistadô só pelas iniciar, ta cumbinado? Tamém si num tivé azar dôceis!!!

C. Irineu: “ Óia seu Elisandro, cum todo respeito, tão falanu qui o sinhô faiz parti da turma dus dinossauru, qui essi negóço di força jovem é só pá inganá universitáriu narfabeto e bão di copo...”

Elisandro Goiaba: “ Isso é uma calúnia, eu nunca paguei uma cachaça pra ninguém, só ajudo patrocinar a bebedera, aliás, eu até gostava da família dinossauro que passava na TV e na minha campanha eu vou adotar o slogan ‘ você tem qui mi amar’”.

C. Hilário: Uai, nóis veio aqui pá falá di pograma di trevisão ou di política?

Elisandro Goiaba: “ Eu intendo é de Sociologia, política é mais complicado, por isso meu pai é quem diz o que eu tenho de fazer lá na câmara”.

C. Irineu: “ Uai, mais ocê já é vereadô i vem dizê qui num intendi nadica di política, o que ocê ta fazeno lá intão?

C. Hilário: “Acho meio priguntá, o qui Eli num tá fazeno lá na Camardusvereadô, cumpadi!”.

Elisandro Goiaba, Perdendo as istribera: “ Vocês tão de sacanagem comigo, né, vou pedir pro meu pai processar voceis, eu sou jovem”!

C. Irineu, resmungano: “ Puis é, di ondi menus si ispéra é qui num sai nada memo”.

Ta venu? Essi negóco di intrevistá político é cumpricadu, pur isso qui só fiquei gravanu as fala, mais pó isperá qui nóis vai intrevistá otros político tamém. Alinhais, ano di eleição o mais divertido é vê o Horário leitorar, tem cada sambanga isquisito qui num sabi nem iscreve o nomi direito í diz que vai lutá pela inducação. Falá nisso, a polícia ambientar tem qui ficá di ôio prá módiquê em tempo di leição aumenta a poluição sonora i tamém a poluição visuar, jáqui o qui tem de candidato feio é di doê us zóio. Ah, vá prantá batata notra roça! Reparo? Já to ficanô revortado qui nem o Cumpadi Ricardo, essis oceis ainda num conheci, Eli é du contra dimais da conta. È isperá pá vê.

Pá termina por hoji, vô contá um caso proceis, contecido ali pertim di di Olivera. Diz qui deis di criança pequena Vardinéia i Chiquinho foi criado junto, já qui os pai era muito dado. Io tempo foi passano i eles foro cresceno, aí num a divê qui eles cabáro si casanu. Oceis sabi qui o povo da roça num viaja pá lua di mér, né! Intão, acabada a festança, lá foram os dois pá casinha simprisinha qui só. Chegano lá, o Chiquinho muito invergonhadu, virô pá Vardinéia i falo: “Ô Vardinéia, nóis vai tiranu a rôpa, mais oce num mi óia i nem ieu ti óio, vamu ficá dis costa”. “ Itaum tá bão Chiquinho, ieu num ti óio e ocê num mi óia, tá cumbinadu”, respondeu a Vardinéia. Vai daí qui a Vardinéia abriu a mala cum os inxovar, tirô a camisola i quanu vistiu notô qui a mãe tinha lavado, ponhado nu sór pá módi quará e ficá bem arvinha. Tava um brinco a camisola, só qui a mãe da Vardinéia tinha usado goma dimais dá conta pá passá a camisola i ela fico um exagero di ingomada. Vardinéia intão recramô: “Uai, Vigemaria, cumé quieu vô drumi cum trem duro dessis?”. Aí diz u Chiquinho: “Ah Vardinéia, anssim num vale! Ocê mi oiô, né!”.

Si oceis gostarô num sei, ieu já tô gostano muito, manda um emeio pá nóis ou prô Yorkuti(sem víru), quieu tô ino cume umas cumida gostosa dimais da conta lá na Toca dum Cumpadi Tatu, ocê já foi? Inda não? Ô coitadu! Prestenção! Cumpadi Irineu é quem diz: “muié bunita, cavalo manco i pulítico sem vergonha a genti vê di longi”. Nóis é bão di filosfia tamém! Larga meu pé anarfabeto político! Sô brasileiro, uai! Nóis votô manóis xinga. Quem polui o meiambienti acaba cum a vida da genti. Pópará di poluí, sujão! Òia os musquito da dengui! Xô febre amarela! Bem quieu tava avisano, hein!Tempocabô!

Psiu: quarqué erro qui oceis notá, num arrepára não!

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