Coluna | BRASILzão
Diego Gazola / Fábio Brito
Diego Gazola,(MTB-SP-44.350), é repórter-fotográfico.Graduado em Comunicação Social pela UMESP-SP, tem se especializado em fotojornalismo de viagens. Em cinco anos, já percorreu mais de um mil municípios em todo o Brasil para avaliação dos atrativos e documentação fotográfica dos Guias Turístico-Culturais da editora Empresa das Artes.As fotografias de Brasilzão são de sua autoria.
diegogazola@uol.com.br

Fábio Brito. Presidente da Empresa das Artes, editora com mais de 160 obras publicadas nos segmentos de turismo, meio-ambiente e cultura; de guias de viagem a livros de arte. Os textos de Brasilzão são de sua autoria.
fabiobritocritica@yahoo.com.br
Lapa, terra de tropeiros e de batalhas
12/11/2007

Monumento ao Tropeiro, painel em azulejos do artista Poty Lazzarotto

- O perfil do turista brasileiro está mudando, você não acha? 

- Não acho, não! A meu ver, está tudo igual. Ou, talvez, pior! Por todo lado se instalam megacomplexos hoteleiros, com centenas, milhares de leitos, que são ocupados por turistas totalmente alheios à realidade da região ou da cidade que visitam. Essas pessoas ficam confinadas em um espaço artificial, não mantêm relações com a comunidade local e convivem artificialmente com pessoas do mesmo segmento social, ou seja, com a burguesia “não esclarecida”, consumista, inculta e, muitas vezes, bastante racista... 


Construído em 1873, o Theatro São João é um dos poucos no Brasil em estilo Elisabetano

- Constato que você continua bastante pessimista. Vou contrariá-lo. Faço questão de destruir o seu argumento... 

- De que maneira? Você também me parece bastante alheio à realidade brasileira deste início de século. 

- Acalme-se. Não se trata de um duelo. Você, por acaso, conhece a pacata cidade paranaense, antiga rota dos tropeiros, que se chamava Pouso do Capão Alto nos idos do século 18?  


Na cidade do tropeirismo, uma contradição

A arquitetura de Lapa é prioritariamente em estilo colonial

- Acho que não.

- Pois é! Existem localidades fantásticas por esse Brasilzão afora, aonde a população é orgulhosa de seu passado, embora muitas vezes sofrido, como foi o caso da adorável Lapa.


O município de Lapa foi palco de batalhas durante a Revolução Federalista

- A Lapa, no Paraná? 

- Exatamente, meu caro. Há muito tempo, mais exatamente em 1731, o valente português José Pereira Braga e sua esposa, Josefa Gonçalves da Silva, ocuparam aquelas terras ainda não desbravadas do Estado do Paraná. São verdadeiros heróis, exploradores do país-continente numa época em que a natureza ainda estava intacta, os rios limpos e os anseios e necessidades eram outras... Com o passar dos anos, quase um século depois, a Freguesia do Capão Alto foi denominada Vila Nova do Príncipe. Fico imaginando como seria a localidade naqueles tempos, como viveriam seus habitantes, quais seriam seus hábitos e costumes, o clima da região... Desejaria ter o poder de voltar àquela época e presenciar uma deliciosa retrospectiva naquele passado não tão distante dos dias de hoje. 


Casario em estilo colonial português

- Deliciosa? O município, ao desmembrar-se de Curitiba, passou a chamar-se Lapa. Isso ocorreu em 1872. Duas décadas depois, em 1894, as tropas revolucionárias do Rio Grande do Sul chegaram à pacata cidade e a sitiaram. Os habitantes reagiram bravamente, porém, infelizmente, muito sangue foi derramado nas suas ruas, e vidas e mais vidas foram eliminadas, desperdiçadas! Como relata o amigo e escritor Hernani Donato, também paranaense, o Brasil sempre foi uma nação violenta. Para cada dia do ano podemos “comemorar” uma revolução, uma insurreição, um massacre ou um grande genocídio: Guerra dos Farrapos, Guerra do Paraguai, Revolução Federalista, Canudos, Araguaia, Morro do Alemão, Massacre da Candelária... E estas são apenas algumas entre muitas outras atrocidades ocorridas em nome da política, do país, da religião, do tráfico de drogas, da violência, da ignorância! Sem contar que, hoje em dia, o Brasil encabeça a lista dos países com o maior número de homicídios do planeta!  


A Gruta do Monge atrai visitantes diariamente movidos pelo poder da fé no ermitão José Maria

Igreja Matriz de Santo Antônio

Igreja Matriz de Santo Antônio

- E a Lapa com tudo isso? Não entendi nada!... 

- Lapa significa: “grande pedra; laje que forma um abrigo”. Nos dias atuais, a Lapa é um exemplo de civilidade. Trata-se de uma cidade histórica, orgulhosa de seu passado, preocupada com a manutenção de seu acervo arquitetônico com mais de 200 imóveis preservados e revitalizados, graças à consciência da população que, desde 1938, vem lutando – e agindo – para que a cidade não perca a lembrança viva de seu passado. 

- Na verdade, a Lapa está pertinho de Curitiba. São apenas 71 quilômetros da distância da capital paranaense. Vale a pena ir até lá! 


Tela retrata os últimos momentos de Lacerda

- “A Lapa é a cidade dos monumentos; seus habitantes, seu povo, têm muito orgulho dos antepassados e pioneiros, de suas lutas e glórias. E deixam sentimento expresso em belas homenagens públicas a seus heróis”. Esta frase, parte do conteúdo do Guia Turístico, Ecológico e Cultural do Paraná, resume sabiamente o que é a pacata e cultural cidade paranaense. Não perca a oportunidade de conhecê-la!

- Acessewww.empresadasartes.com.br . Adquira o seu guia e siga para o Paraná. Passeie e descanse na Lapa.

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