Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Violência crescente; Ritmo de ataque; Mudança de rumo; Rodrigo Pacheco e Dimas Fabiano; Lá vai o trem, pra onde?; Como está a Área Azul?
20/03/2024

Violência crescente

Nas últimas semanas o registro de crimes violentos em Varginha tem aumentado significativamente. São crimes contra a vida e a propriedade que mostram o aumento e atrevimento da bandidagem. Assalto a lojas em que marginais quebram vitrines, roubam e depredam empresas em áreas nobres ou de grande movimento na cidade. Além disso tivemos também no primeiro trimestre de 2024 assassinatos na cidade, todos ligados a facções criminosas, tráfico de drogas etc. Sem falar nos crimes de trânsito que antigamente eram nas estradas, agora estão ocorrendo na zona urbana de Varginha, e cada dia mais violentos, causando mortes e chocando a cidade. No acidente mais polêmico ocorrido recentemente, faleceu o conhecido contador da Prefeitura de Varginha, Sérgio Hitoshi Yano, aos 61 anos, após um grave acidente, ocorrido na tarde da sexta-feira (15/03). Na Fundação Cultural, Sérgio Yano exercia o cargo de contador desde 2014, desempenhando uma série de outras atribuições como presidente do Conselho Municipal de Incentivo à Cultura e também no Conselho do Instituto dos Servidores Públicos de Varginha. Também foi secretário de Controle Interno da Prefeitura de Varginha. Outras mortes recentes também aconteceram no trânsito de Varginha neste trimestre violento, sempre motocicletas envolvidas nos acidentes. Não sabemos qual a razão deste início de ano violento na cidade. Mas é certo que a Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal possuem estrutura e investimentos públicos para combater este aumento da violência, seja no combate a bandidagem e tráfico de drogas, bem como o aperto na fiscalização do trânsito e planejamento do melhor fluxo nas vias públicas. A perda de vidas humanas, seja na mão do tráfico e facções criminosas ou no trânsito, passa por mais ação das forças públicas de segurança e da maior conscientização da população. Não dá pra ficar como está ou aceitar este aumento de mortes como se fosse normal.

Ritmo de ataque

O governo municipal está impondo ritmo de guerra para a entrega das principais obras contratadas por esta gestão municipal. Obras como a Avenida Sanitária, Mercado do Produtor, obras do prédio do Rio Branco, recapeamentos das principais vias da cidade entre outras são acompanhadas semanalmente pelo próprio prefeito. A ideia é entregar tais obras o quanto antes para que o “mérito político” possa ser capitalizado pelo governo e seu candidato oficial antes das eleições municipais. Embora o ritmo das empreiteiras que atuam nestas obras estratégicas seja intenso, não se acredita que todas as obras ficarão prontas a tempo, mas é certo que o prefeito Vérdi Melo vai capitalizar o mérito das construções, mesmo que seja após as eleições de 2024. Não custa lembrar que em todas as inaugurações a presença do vice Leonardo Ciacci é sempre destacada pelo cerimonial, algo recente, mas que tem um propósito certo para o ano eleitoral.

Mudança de rumo

A relação do vice-prefeito de Varginha e o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PL/MG) sempre foi alvo de especulação e até ciúmes de outros deputados federais com relacionamento com o governo municipal. Contudo, diante de uma iminente “puxada de tapete ocorrida no PL de Varginha” que pode ou não ser publicada em breve, é possível que a lealdade e relacionamento do vice Leonardo Ciacci e o deputado federal do PL não seja mais o mesmo! Nos últimos dias têm sido intensas as conversas dos integrantes do governo e do PL municipal com as autoridades políticas em Brasília, mas parece que a mudança de rumo no PL não vai mudar. A conferir!

MGC 491: Obras de melhoria continuam, protestos pelo alto pedágio também!

A empresa EPR Vias do Café, concessionária que administra a MGC 491, continua com obras de melhoria na via que vai de Três Corações a São Sebastião do Paraíso. O trecho entre Varginha e Três Corações é um dos que possui maior movimento da pista e vai abrigar uma praça de pedágio e vem recebendo obras de melhoria como recapeamentos e limpeza do mato próximo a via. Contudo, em Varginha e várias outras cidades por onde passa a MGC 491 são várias as reclamações quanto ao alto valor do pedágio superior a R$ 13 reais. Diversos prefeitos, deputados e lideranças empresariais já adotaram o alto valor proposto como tema para ser abordado na campanha política deste ano. Sabemos que nada ou muito pouco pode ser feito por um prefeito  neste caso. Mas por certo que a pressão política sobre o tema vai forçar mudanças no ritmo dos investimentos por parte da EPR Vias do Café, bem como na relação do Governo de Minas com as comunidades da área cortada pela MGC 491. Uma estrada boa para tráfego de veículos, pessoas e produtos é fundamental para o desenvolvimento econômico da região, da mesma forma que uma tarifa de pedágio extorsiva pode atrasar muito e penalizar a vida dos mais humildes que usam a estrada.

Rodrigo Pacheco e Dimas Fabiano

Na semana que passou o deputado federal Dimas Fabiano (PP) deu uma demonstração inequívoca de poder político e bom relacionamento em âmbito federal. O parlamentar reuniu diversos prefeitos e lideranças políticas que o apoiam para uma visita institucional em Brasília, com direito a visita ao presidente do Senado Federal, recebidos pelo senador Rodrigo Pacheco. Os políticos regionais tiveram oportunidade de falar diretamente com o presidente do Congresso Nacional, bem como com ministros e outros altos cargos do governo federal. Houve até fotos no salão de autoridades do Senado entre o presidente Rodrigo Pacheco e os visitantes do Sul de Minas. Entre os presentes, estava o ex-vereador de Varginha, Zacarias Piva (PP), possível candidato em 2024. Embora Dimas Fabiano tenha dado oportunidade para seus aliados no destaque da visita à Capital, que saiu em vários jornais e redes sociais pela região, a credibilidade pela realização do encontro deveu-se a Dimas Fabiano e sua boa relação com o Senador Rodrigo Pacheco. Outros nomes da política local de Varginha também têm acesso a Rodrigo Pacheco, mas a jogada de marketing e a excelência da articulação foi brilhante e repercutiu em toda a base de Dimas, inclusive Varginha. Nas eleições municipais que se aproximam, em que não sabemos quem vai contar com o apoio formal de puxadores de votos como Bolsonaro e Zema, não será surpresa se os candidatos apoiados por Dimas Fabiano na região contarem com apoio formal e gravações de apoio de lideranças como o Ministro Alexandre Silveira e o Senador Rodrigo Pacheco. A  conferir.

Lá vai o trem, pra onde?

A coluna já comentou aqui sobre os benefícios e prejuízos trazidos pela linha férrea em Varginha. Com o fim da linha de transporte ferroviário para Varginha, que trazia trigo ao Moinho Sul Mineiro, parece que ficaram na cidade apenas os prejuízos pela linha desativada. Já há alguns anos diversos empresários e instituições lutam para trazer de volta a linha de transporte de mercadorias para Varginha, mas este sonho ainda precisa de muito investimento e apoio político. Enquanto isso, centenas de moradias às margens da antiga linha do trem em Varginha amargam com a falta de, manutenção, limpeza, segurança e iluminação no trecho da linha. Em tese, compete à Ferrovia Centro Atlântica (FCA) a responsabilidade pela manutenção das linhas férreas, mesmo que inativas. Mas a Prefeitura de Varginha parece que não mantém contato com a empresa para cobrar suas responsabilidades na cidade. A coluna tem recebido reclamações de moradores que moram às margens da linha. Será que o trem vai voltar a Varginha? Tomara que sim, pois a cidade tem muito a ganhar com isso. Mas enquanto o trem não volta, a responsabilidade da FCA e da Prefeitura de Varginha é zelar pela urbanidade do espaço da linha que corta a cidade. Estamos de olho!

Posicionamento e estratégia

No mundo político municipal são muitas as expectativas em relação ao governo e a oposição. Lideranças municipais com conexão no governo e na oposição questionam, nos bastidores, dois casos curiosos. O primeiro deles é o esforço do prefeito Vérdi Melo para fazer seu sucessor. Uns dizem que o empenho do prefeito na sua sucessão, na verdade, seria um esforço político em causa própria, pois visa garantir um “ambiente político favorável em 2026, quando seria candidato a deputado estadual”. Já na oposição, muitos questionam quando o vereador Rodrigo Naves (PSB) vai “descer do muro em relação às eleições municipais”. Naves foi eleito por um partido de oposição ao governo Verdi Melo e o PSB já estaria “fechado com a pré-candidatura de Cleiton Oliveira (PV) para prefeito de Varginha em 2024. Todavia, Rodrigo Naves seria um dos vereadores que estaria , por hora, com o “pé nos dois barcos, recebendo benesses do governo e surfando no discurso de oposição, embora vote com o governo”. Em tese, não há nada de errado no comportamento ambíguo de Verdi Melo e Rodrigo Naves. Mas para o eleitor e para os apoiadores do governo e oposição fica a dúvida: Será que a ambiguidade é proposital por alguma estratégia política ou por interesse próprio?

Como está a Área Azul?

O município privatizou a gestão da Área Azul no centro comercial da cidade. Uma medida nova, moderna e que deu muito trabalho. Mas parece que o processo ainda não foi consolidado. A empresa vencedora da licitação enfrentou diversos questionamentos e vem recebendo muitas reclamações, os problemas de falta de vagas de estacionamento no centro continuam e a insatisfação de comerciantes e clientes sem vagas de estacionamento ainda é uma realidade. Já em relação a Prefeitura de Varginha, num primeiro momento deixou de gastar com os salários dos servidores que trabalhavam na fiscalização e venda de bilhetes. Todavia, não se tem informação dos valores repassados pela empresa contratada. Não houve até aqui nenhuma notícia ou manifestação da Prefeitura de Varginha dos valores, pontualidade e soma dos repasses que precisam ser mensais. Quanto a empresa gestora da Área Azul já repassou ao Município? Os repasses vem sendo feitos regularmente? Que tipo de auditagem ou fiscalização é realizada nos repasses? Valeu a pena para o município a concessão?

Nem maquiagem resolve

Não é mistério que parte da grande imprensa possui “tendência política”! A população já descobriu isso depois da polarização política entre Lula e Bolsonaro. O que não parece estar muito claro é se a “grande imprensa é a favor de Lula ou contra Bolsonaro” mas é certo que imparciais, não são! Um bom exemplo disso é que neste início do governo Lula, depois de uma eleição disputada e um ano de fortes gastos do governo federal em publicidade, ainda assim, a popularidade do presidente Lula vem caindo. Lula já está preocupado com isso, ainda mais em um ano eleitoral onde adversários bolsonaristas e muitos outros marcam presença em eventos pelas ruas e redes sociais. Nomes antes esquecidos e que imaginávamos “fora da política” retornam com discursos renovados como se nada tivesse ocorrido no passado. Isso vale para os ex-governadores Aécio Neves (PSDB), Fernando Pimentel (PT), Sergio Cabral e muitos outros políticos que foram indiciados, denunciados, condenados e até presos em ações de combate à corrupção. Fato é que com a “inversão de valores que estamos vivendo, a Operação Lava Jato foi transformada em crime e os criminosos, antes presos, foram transformados em vítimas, com direito a perdão de pena e até devolução de recursos públicos roubados. Sem falar nas empreiteiras envolvidas no maior escândalo de corrupção da América Latina que agora voltam a prestar serviços para o governo federal na gestão Lula. Parece que o Judiciário mudou, o foco não é a defesa da Justiça e sim do Direito, que muda a cada nova indicação política de ministro que senta no STF. Neste mundo mudado, a grande imprensa tenta “passar pano no governante que paga mais, encobre erros absurdos de gestões públicas, mudam-se as leis, mas por sorte o costume da honestidade a moda antiga ainda existe e muita gente começou a pensar por conta própria e vem reprovando os muitos comportamentos, nomes e instituições que estão envolvidos até o pescoço em toda bagunça moral e social que se tornou o Brasil”. Que bom que as pesquisas começaram a mostrar que a moral e a honestidade não saíram de moda! As pesquisas vão continuar aí, colocando quem mais na liderança e tentando enganar o eleitor. Mas o sentimento do cidadão em relação a sua própria percepção da vida, da economia e de sua qualidade de vida, isso não dá pra esconder, ainda mais depois das redes sociais.

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