Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Gostinho de poder; Escondido é melhor!; Kalil no Sul de Minas; Palanques fortes em Minas
11/05/2022

Gostinho de poder 

O vice-prefeito Leonardo Ciacci assumiu no dia 2 de maio, a Prefeitura de Varginha, em substituição do prefeito Vérdi Melo, que após três anos de trabalho ininterrupto, em que se dedicou ao enfrentamento da Covid19, buscando o equilíbrio da saúde com a economia local, tirou 15 dias de férias. Leonardo nesse período dará continuidade no ritmo de trabalho implementado pelo prefeito Vérdi Melo. Neste período em que o vice-prefeito ocupará o cargo de prefeito em exercício de Varginha, a Secretaria de Governo será ocupada pela jornalista Carla Beraldo, também Gerente da Divisão de Comunicação e marketing da Prefeitura de Varginha. Na verdade, o prefeito Verdi Melo deixa a função temporariamente, mas não abandona o poder da caneta e as articulações. Verdi não se afastará neste tempo das construções políticas que tem em mente. Pelo contrário, Verdi tem feito pequenas viagens e contatos com líderes políticos regionais e tem em mente que precisa eleger deputado estadual e federal. Isso será fundamental para a segunda metade de seu governo e importante para a composição do palanque governista de 2024, que logo baterá a porta. O fortalecimento de Leonardo Ciacci com a passagem pelo cargo de chefe do Executivo municipal, mesmo que temporariamente, é uma estratégia também para Ciacci, que deseja construir grupo para sair candidato a sucessão de Verdi. Mas para isso, Ciacci precisa fortalecer seu nome e seu grupo no Partido Progressista, que já foi mais forte. A realidade é que a “cadeira de vice não tem tanta força quando o PP gostaria, e Ciacci viu que tinha bem mais protagonismo na cidade quando era presidente da Câmara do que agora como vice”.  

Gostinho de Poder – 02 

A construção de poder do Partido Progressista, para tentar levar Leonardo Ciacci ao cargo de prefeito de Varginha não será tarefa fácil. O partido precisa primeiro cumprir sua principal missão: reeleger o deputado federal Dimas Fabiano (PP), que é a principal força da legenda. Em segundo, Ciacci tem que reunir força em torno do Partido Progressista, que tem além de seus vereadores e filiados, outras legendas menores que também possuem representação no Legislativo municipal. Ocorre que Ciacci não vem tendo muitas “moedas de troca para garantir lealdade e construção de grupo”. Muitos dos vereadores e mesmo lideranças populares que antes estavam “firmes com Ciacci”, hoje tem novas conexões políticas na cidade. Sem falar que a pulverização do poder no Legislativo municipal faz com que, em muitos casos, dois cargos de confiança da Câmara de Varginha, (nomeados a muito tempo e que não pretendem largar o osso), tenham mais força e poder que os próprios vereadores. Ou seja, “a multiplicação de caciques e a redução do número de índios, tem enfraquecido os próprios caciques”. O desafio final para o Partido Progressista será a votação de Zilda Silva, que sairá candidata a deputada estadual. Se a presidente da Câmara conseguir boa votação, pode se cacifar como candidata a vice-prefeita numa chapa do PP em 2024, ou mesmo tomar a vaga de Leonardo Ciacci se o mesmo não conseguir reconstruir sua força política na cidade ou se o vice “perder a benção do deputado Dimas”. O que seria uma maldade, afinal. Ciacci desde de que começou a vida política décadas atrás persegue a chance de eleger-se prefeito de Varginha. Agora quando está tão perto do poder, ter que ficar no gostinho do poder seria como a torcida do Flamengo ou do Vasco que tem chegado, quando muito, a vaga de vice! 

Escondido é melhor! 

A Prefeitura de Varginha realizou audiência pública onde foi tratado e discutido os estudos relacionados à futura licitação, visando a delegação, na forma de concessão, da prestação do serviço público de transporte coletivo urbano do Município de Varginha. 

A audiência ocorreu na tarde da última sexta feira na longe e discreta sede do Auditório do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Varginha - INPREV, na Praça Dalva Paiva Ribeiro, 312, alto da Vila Paiva. Pelo visto o município não queria muito “palpite do povo neste assunto”. Afinal, tendo em vista o local, data e horário escolhido para debater tema tão importante! Tal evento deveria ocorrer no centro da cidade, fora do horário de trabalho para facilitar a participação da população que usa o transporte coletivo, a menos que a participação do povo não fosse conveniente! Vale destacar que o transporte público em Varginha tem preço alto quando em comparação com grandes centros. Os veículos aqui circulam bem menos, contudo, os problemas das grandes metrópoles são encontrados aqui. Temos superlotação em horário de pico, falta de veículos, ônibus sem estrutura ou depredados, assaltos em algumas linhas mais distantes e o alto preço das passagens que corrói o salário do trabalhador. No passado, existiam em Varginha dois grupos empresariais que concorriam entre si para atender a população. Atualmente, temos apenas uma empresa que dita os preços e não esclarece o porquê de aumento de passagens sem novos investimentos. Além disso, temos uma Prefeitura que não questiona aumentos e prefere dar subsídios a empresa, o que nada mais é que a transferência de recursos públicos para a iniciativa privada sem qualquer fundamentação lógica, pois caberia ao município fiscalizar o porquê dos aumentos, o que não vemos ocorrer! 

Kalil no Sul de Minas 

Em intensa agenda pelo interior de Minas Gerais, o ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo do estado, Alexandre Kalil (PSD), participou de encontro com políticos em Varginha na última sexta-feira (06/05). O encontro reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças da região Sul. O vice da chapa e presidente da Assembleia Legislativa, Agostinho Patrus (PSD), que vem fazendo forte oposição a Zema no Legislativo também esteve presente. Antes de Varginha, Kalil esteve em Passos e outras cidades da região em busca de apoio para sua candidatura. O evento aconteceu no auditório da Faculdade de Direito de Varginha. Além de Agostinho, Kalil estava acompanhado dos deputados estaduais Ulysses Gomes (PT) e Professor Cleiton Oliveira (PV). Kalil tem recebido apoio de deputados do PT, contudo ainda não é certo o apoio do partido ao ex-prefeito de Belo Horizonte. Os articuladores da campanha de Kalil acreditam que “colar em Lula neste momento pode não ser um bom negócio, embora as pesquisas apontem que o ex-presidente esteja em primeiro lugar na preferência popular, o que muita gente não acredita”. Em abril, o ex-prefeito de BH e postulante ao Palácio Tiradentes viajou a Pirapora, no Norte de Minas, com os deputados Paulo Guedes, Leninha e Virgílio Guimarães, todos do PT. Ainda pouco conhecido para além da região metropolitana de Belo Horizonte, o ex-prefeito tem apostado em encontros com lideranças, sempre acompanhado por parlamentares das regiões, ao longo da pré-campanha. Na visita a Varginha, Kalil estava acompanhado do deputado estadual Professor Cleiton Oliveira (PV). O deputado Professor Cleiton, responsável pelo convite a Kalil, faz um contraponto as visitas de Zema a região, quando convida Kalil a Varginha. O ex-prefeito é o principal concorrente de Zema, que é desafeto de Cleiton Oliveira. 

Kalil e as discórdias políticas 

A coluna já comentou sobre as dificuldades que muitos políticos da região terão para apoiar o candidato a governador do PSD, Alexandre Kalil. A começar pela tentativa de unificação de palanques entre o ex-prefeito de Belo Horizonte e o ex-presidente Lula. Ainda não é certo que Lula e Kalil vão dividir o mesmo palanque, mas tem muita gente trabalhando para isso. Fato é que muitos políticos locais querem apoiar a reeleição de Romeu Zema, inclusive o deputado federal Diego Andrade, do PSD de Kalil. Além disso, o deputado estadual do PV, Professor Cleiton Oliveira, apoiador que trouxe Kalil a Varginha, vai ter dificuldades locais pois o candidato a deputado federal Stefano Gazola, com quem Cleiton Oliveira constrói dobradinha, já disse que apoiará a reeleição de Zema. Em caso do fechamento da parceria entre Lula e Kalil, é certo que a militância do PT na região “não apoiará abertamente a campanha do ex-prefeito de Capital, contudo é muito possível que lideranças do agronegócio e setor industrial da região vão afastar do PSD de Kalil, mesmo o partido tendo bons quadros que apoiam estes setores”. Além disso, a vaga de candidato ao Senado é um tema de discórdia entre o PSD de Kalil e o PT de Lula. As lideranças mineiras do PSD querem reeleger o senador Alexandre Silveira no Senado, já os petistas querem eleger o deputado federal Reginaldo Lopes para a Câmara alta. A disputa pela vaga do Senado é hoje o maior entrave para o fechamento do palanque conjunto entre PSD e PT, mas a resposta para esta dúvida tem data para chegar. Tanto petistas quanto líderes do PSD têm pressa em começar logo a campanha e precisam ter uma chapa completa com candidato a senador, governador e presidente. Kalil não deve ter o apoio de Bolsonaro, que aos trancos e barrancos deve aproximar de Zema. Já Lula não tem como colar seu nome com Zema, que precisa, pelo menos no primeiro turno, apoiar o presidenciável do Partido Novo, Luiz Felipe D´avila. E num eventual segundo turno, Zema teria mais identificação com Bolsonaro que com Lula. No caso dos presidenciáveis, é importante para ambos, terem um palanque forte em Minas, segundo maior colégio eleitoral do Brasil. 

Palanques fortes em Minas 

No caso de Bolsonaro, a dificuldade de construção de uma “parceria informal entre o Novo de Zema e o PL de Bolsonaro”, forçou o presidenciável a construir um palanque em Minas, com a candidatura ao governo de Carlos Viana, (construída no último momento) que disputará o Governo de Minas. Ainda assim, Bolsonaro e Zema podem se encontrar em um eventual segundo turno onde o governador e o presidente (que possuem muitas afinidades) poderiam trocar apoio nos bastidores políticos. Já no caso de Lula, as conversas entre o PSD e o PT estão travadas em relação a disputa pelo Senado. O PT quer que a vaga seja disputada pelo deputado federal Reginaldo Lopes, já o PSD quer apoiar a reeleição do senador Alexandre Silveira. O impasse pode gerar uma “anomalia política” tendo a chapa dois candidatos para a única vaga disputada. A possibilidade desta construção já foi alvo de consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, que deve responder em breve. Todavia, caso isso não possa ser realizado, não é descartado que PSD e PT venham a construir candidatura própria distintas. Neste caso, o PT poderia lançar candidato e apenas juntar ao PSD num eventual segundo turno, onde teriam maior facilidade de acordo. Ao candidato petista ao Senado, Reginaldo Lopes, interessa apenas a disputa ao Legislativo e não ao Governo de Minas. Assim, caso o PT decida por lançar candidatura própria ao Governo de Minas, terá dificuldade de encontrar nomes, bem como articular uma campanha. Mas é certo que Lula não deixará de construir palanque forte no estado, justamente pela importância de Minas no cenário eleitoral nacional, bem como a possível “parceria informal que pretendem construir Zema e Bolsonaro em busca de votos”. 

Palanque de Zema 

Já o governador Romeu Zema (Novo) vem tendo dificuldades em construir seu palanque no estado. Primeiro com a definição de quem será seu vice. A pressão de todo lado, uns querem um nome do Novo, outros pedem um parlamentar de outro partido, que poderia ser do União Brasil, Partido Progressista ou mesmo Tucano. A segunda dificuldade de Zema seria a construção da aliança de partidos que o apoiariam, pois isso vai depender da escolha do vice na chapa. Também não há definição de quem sairá candidato ao senado na chapa governista de Zema. O governador é um forte cabo eleitoral e não deve ser ignorado na disputa pelo Senado. É certo que o candidato que dividir palanque com Zema, já sai com boa estrutura e apoio para a disputa. Mas os holofotes e interesses da classe política está na vaga de vice, que seria bem mais garantida. O governo tem planejado milimetricamente cada ação e entrega neste momento, pois sabe que tudo que fizer pode impactar na campanha de logo mais. A relação com o funcionalismo é uma preocupação neste momento. Embora Zema tenha pego uma folha de pagamentos atrasada e parcelada em 4 vezes com os servidores. Zema conseguiu reequilibrar as contas e atualmente paga os servidores em dia, além de conceder reajuste inflacionário neste ano a todos os setores do funcionalismo, com destaque aos servidores da Segurança Pública e Educação, que tiveram reajuste maior durante esta gestão. Contudo, a pressão dos sindicatos de trabalhadores destes setores, tem insuflado insatisfações junto ao funcionalismo e grandes movimentos grevistas tem sido realizado nos últimos meses. Os articulares políticos do governo acompanham de perto a relação com os servidores e com a imprensa. Em ambos os casos, qualquer deslize pode dar munição para a oposição. A conferir.

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