Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Sobra sempre para o bolso do povo; Mais uma mamadeira de dinheiro público; Hemominas: Novela do descaso vai acabar?
08/04/2022

Sobra sempre para o bolso do povo 

Na coluna da última quarta-feira desta semana um comentário sobre o reajuste de passagens do transporte coletivo urbano de Varginha deu o que falar. Diversos e-mails e mensagens chegaram à coluna, concordando com o posicionamento deste colunista. As mais diversas teorias sobre a “força política ou generosidade financeira” da empresa de transportes que atua em Varginha e sua proximidade com o governo municipal foram exploradas nas mensagens enviadas. Fato é que o aumento conquistado pela empresa sendo maior que o dobro da inflação do período foi realmente assustador para qualquer pessoa que saiba do momento econômico que estamos passando. Contudo, a coluna não destacou outro viés da notícia. Ocorre que o município vai usar o dinheiro do povo para subsidiar as passagens pelo período de 6 meses, o que leva a crer que, após “estes 6 meses mágicos” os preços (super)reajustados serão pagos diretamente pelo trabalhador! Daí fica a pergunta, meu caro (e)leitor, qual o grande diferencial destes próximos 6 meses? O que teremos de tão importante nos próximos 6 meses que levou o governo municipal a este “tamanho gesto de flexibilidade financeira para aceitar pagar parte das passagens? Resposta mais citada: Eleições 2022! Assim, vemos que o foco da medida benevolente não foi a sociedade de Varginha, mas sim os interesses ou escolhidos pelo governo, que certamente seriam “expurgados nas urnas, caso o governo obrigasse o povo a pagar diretamente o reajuste abusivo pelo transporte coletivo”. A questão agora é: Vamos esperar a tapeação das eleições passarem para protestar e discutir o reajuste de 20% nas passagens ou vamos acordar agora? 

Mais uma mamadeira de dinheiro público 

Já tem se tornado uma constância as diversas aplicações de dinheiro público, seja municipal, estadual ou federal no Hospital Regional do Sul de Minas. Desta vez, segundo a publicação legal no diário oficial de 31 de março de 2022, a Prefeitura de Varginha vai conceder ao Hospital Regional subvenção social no valor total de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais), a serem repassados em 12 (doze) parcelas mensais. As despesas oriundas desta subvenção correrão à conta de dotações orçamentárias próprias do município, podendo ainda ser suplementadas se necessário. Ou seja, o Hospital Regional poderá vir a receber mais recursos públicos do município neste ano! Vale destacar que a coluna não é contra o apoio do município a Saúde, nem mesmo contrária a estruturação do Hospital Regional. Contudo, os questionamentos feitos pela sociedade e pela coluna não foram respondidos. A dívida do Hospital Regional diminuiu ou aumentou ao longo deste tempo em que a instituição vem recebendo milhões dos cofres públicos? Quais obras novas foram ou serão realizadas com tais milionários repasses de recursos que aportam constantemente naquela instituição de saúde? As dívidas do Hospital Regional têm sido quitadas na ordem cronológica ou ainda há preferencias e preferidos na escolha de qual credor pagar? Porque estas e outras perguntas não são respondidas? 

Hemominas: Novela do descaso vai acabar? 

A Prefeitura de Varginha está alugando imóvel na av. Maria Resende Braga, 55, no bairro Vila Verde (onde funcionava o antigo Hemocentro), para ceder a Fundação Hemominas a fim de que a instituição restabeleça as colegas de sangue na cidade. Este é mais um gasto que deveria ser suportado pelo Governo de Minas, contudo a Prefeitura de Varginha assumiu a responsabilidade a fim de tentar resolver o problema de falta de sangue e outros hemoderivados nos hospitais públicos da cidade. Não é a primeira vez que a Prefeitura de Varginha assume os custos de uma responsabilidade do Governo de Minas, que deixa a desejar no investimento de instituições como Hemominas, Polícias Civil e Militar entre outras instituições estaduais. O problema é saber se, desta vez, a Fundação Hemominas terá planejamento e competência para começar logo sua função em Varginha assim que o município disponibilizar o imóvel! Será que agora vai? Afinal, já tem anos que o município doou terreno ao Hemominas e aguarda pacientemente que a instituição tenha competência para construir sua sede e começar a funcionar! Enquanto isso, na rede pública de saúde, falta sangue para cirurgias eletivas e corremos risco de falta de sangue em caso de emergências como acidentes graves onde os feridos precisem de muitas bolsas de sangue. Será que agora vai? A conferir! 

Ronda motorizada 

Os gastos e resultados da Guarda Civil Municipal de Varginha são questionados a muito tempo, não é de hoje que acompanhamos a instituição! Entre erros e acertos, a coluna sempre destacou que, pelo fato da instituição ter começado muito bem sua história, revolucionando a Segurança Pública em seu início de atuação, as deficiências ou falhas de agora contrastam com os resultados do passado. A instituição começou com efetivo bem menor, menor estrutura, contudo um serviço bem melhor avaliado pelo contribuinte. Atualmente com enormes gastos de manutenção e sem números reais de avaliação e satisfação de seu serviço, a Guarda Municipal é destaque apenas quando deixa de prestar segurança à população em casos de violência ou roubos/furtos ou quando realiza algum gasto questionável! Nesta semana, no diário oficial de 31 de março, foi publicado o contrato: 001/2022, datado de 22/03/2022. No referido contrato, referente ao pregão Presencial Nº 001/20212 a Guarda Municipal de Varginha está contratando empresa especializada na prestação de serviços de locação de veículos – 0 km. A empresa escolhida foi a Unidas Veículos especiais pelo valor de R$ 727.200,00 (setecentos e vinte e sete mil e duzentos reais). Bons tempos quando a Guarda Municipal fazia rondas caminhando pela cidade!  É possível que, atualmente, os gastos da instituição estejam iguais o Índice de Massa Corporal IMC de seus integrantes, lá nas alturas! 

Segurança e Transporte 

Um ônibus da Autotrans foi depredado no final da tarde de segunda-feira (04/04). O crime de vandalismo ocorreu no Bairro Novo Tempo, os responsáveis não foram identificados nem presos. A Guarda Municipal, Polícia Militar ou Polícia Civil não comentaram sobre o caso. Janelas do ônibus 6910 Linha 22 Carvalhos / Ponto Central foram atingidas. As pedras jogadas pelo grupo de vândalos quase atingiram um passageiro. Outros crimes semelhantes já ocorreram sem que os responsáveis tivessem sido identificados ou presos. De acordo com a Divisão de Transportes da Prefeitura de Varginha, na semana retrasada um ônibus da mesma linha foi atingido por pedras no Bairro Carvalhos. Não sabemos se os veículos da Autotrans possuem câmeras de segurança em todos os veículos e se tal sistema de segurança funciona em rede pela internet, a fim de identificar em tempo real tais ocorrências, para melhorar a segurança dos passageiros. Fato é que a Empresa Autotrans deveria ter sistema de câmeras com filmagem em tempo real para garantir maior segurança dos usuários e facilitar a identificação destes meliantes que atacam o transporte público. De igual modo, a Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil deveriam ser mais eficazes no patrulhamento e investigação destas gangues. Se aceitarmos que crimes como o vandalismo prosperem agora, em breve, teremos crimes maiores como incêndios em ônibus e assaltos a mão armada com frequência, nos moldes que ocorrem em grandes centros onde tais crimes já se tornaram comuns. 

O velho Novo? 

O governador Romeu Zema já começou a epopeia de percorrer o estado em busca de votos. Intensificou suas visitas ao interior e busca apoio em outras legendas e setores econômicos. Uma dificuldade que o partido Novo terá é sua minúscula estrutura partidária. Poucas cidades terão candidatos da legenda e ainda assim, nem todos terão condições de “dar palanque” ao candidato a governador que busca reeleição. Em Varginha o Partido Novo vai lançar Bruno Araújo como candidato a deputado estadual. O empresário é um nome novo na política, embora tenha conexões antigas com medalhões da política regional. O Partido Novo e seus integrantes precisam mudar o discurso de achar que são “melhores ou superiores” que outras legendas! Primeiro porque não são nada diferentes dos demais partidos em questões de possibilidades, mas apenas na gestão! O Partido Novo não utiliza o Fundo Partidário, como outras legendas, mas recebe tal recurso. Apenas não gasta e futuramente pode mudar de opinião e passar a usar. Aliás, o Partido Novo mudou de opinião em vários momentos. Era contra o pagamento de jetons, mas hoje paga jetons a secretários do Governo de Minas. Era contra uso de aeronaves pelo governador, hoje utiliza aviões para viagens do chefe do Executivo! Enfim, o comportamento do Partido Novo de hoje é bem semelhante ao discurso do Partido dos Trabalhadores a 20 anos atrás. Pregam que são “donos da competência, da honestidade e do serviço eficaz”. Sabemos que não há “dono da verdade”. Talvez se o candidato local do partido partir da premissa que precisa de unir e não dispersar a sociedade civil e política, construindo caminhos de entendimento e não divisão, poderemos enfim ver um nome novo (e do Novo) eleito na região.   

Faturamento da indústria recua, mas emprego e massa salarial avançam 

A Pesquisa Indicadores Industriais (Index), realizada pela FIEMG, aponta a segunda queda consecutiva no faturamento do setor, em fevereiro deste ano. O índice da indústria geral (indústria de transformação + indústria extrativa) caiu 2,3% no segundo mês deste 2022, na comparação com janeiro. A retração no segmento de transformação, com queda da demanda no mercado interno, motivou o resultado apurado. As horas trabalhadas na produção, por sua vez, voltaram a crescer. No que se refere ao mercado de trabalho, o indicador de emprego apresentou pequena queda, ao passo que a massa salarial cresceu. Esses desempenhos são explicados pelo pagamento de participação nos lucros e resultados de empresas do setor referentes ao exercício de 2021. Em decorrência, principalmente, do conflito entre Rússia e Ucrânia, a Gerência de Economia da FIEMG pondera que é esperada uma desaceleração do crescimento econômico global. As pressões nas cadeias de suprimentos, com a falta de peças e insumos fundamentais à produção, e de transportes, com o encarecimento dos combustíveis e a escassez de containers, também devem contribuir para a perda de ímpeto da atividade econômica. No cenário brasileiro, traz ainda a Pesquisa Indicadores Industriais (Index), as incertezas geradas pela proximidade das eleições, o desemprego elevado, a conjuntura inflacionária e o aumento das taxas de juros são pontos de atenção adicionais em 2022. 

Movimentação partidária e Legislação eleitoral 

As movimentações partidárias regionais e municipais tem norteado a definição de muitas candidaturas e grupos políticos locais. Algumas legendas perderam força, outras ganharam influencia e mais recursos. O fundo partidário também é uma das “iscas” para caça de candidatos nestas eleições. Contudo, o comportamento de lideranças municipais e regionais entre as muitas legendas deve apontar quais serão as mais competitivas para esta eleição municipal e um indicativo de quem chegará forte em 2024. A coluna teve acesso a articulações que mostram a mudança em algumas legendas constituídas na cidade, muitas estão com problemas a resolver perante a Justiça Eleitoral, como prestação de contas atrasadas, multas a pagar etc. Tudo isso deve se resolver em breve, tendo em vista que muitos prováveis candidatos mudaram de legenda justamente por conta de estrutura desta ou daquela agremiação. Além disso, o projeto de federação de partidos é uma proposta que deve prosperar trazendo a unificação de partidos e, em Varginha, unindo adversários ou separando aliados. Principalmente partidos pequenos tendem a unir-se com foco a aumentar recursos e reduzir gastos e ampliar a bancada. O tamanho das bancadas partidárias eleitas nas eleições de 2022 será o balizador do pedado que cada agremiação terá do bilionário Fundo Partidário em 2024. Além disso, vale pontuar, que as doações privadas não foram totalmente proibidas, sendo ainda permitido a doação por parte de pessoas físicas. Instituições que congregam setores de maior poder aquisitivo, ainda tem a possibilidade de articulação entre seus integrantes para contribuir com os candidatos que mais se identificarem. Assim, cooperativas, associações comerciais e industriais podem manter ainda boa força política por meio dos muitos votos e contribuições de seus integrantes.

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