Coluna | Fatos e Versões
Rodrigo Silva Fernandes
Advogado e articulista político do Jornal Gazeta de Varginha. Escreve todas as quartas e sextas.
Mudança de estratégia; Os sem noção; Insatisfação; Promessas em atraso; Covid no Governo; Burburinho
28/05/2021

Mudança de estratégia 

A estratégia política do governador Zema para garantir sua reeleição parece que vai mudar e o Partido Novo deve aceitar a possibilidade de reeleição e coligações entre partidos. A legenda de Zema, antes de fazer o governador do segundo estado mais populoso do Brasil, pregava que não aceitava reeleição e nem permitiria coligações majoritárias. Ouvia-se dos líderes do Partido Novo que a reeleição “dificultava a oxigenação da legenda e seria um convite a maus feitos”. Já quanto a coligação para cargos majoritário, ainda permitida pela lei eleitoral, os lideres do Partido Novo “talvez não acreditassem que existisse legenda mais honesta que eles”, por isso não aceitavam coligações. De qualquer forma, hoje estão engolindo o que pregavam no passado e mudaram de posição. Aliás, igual muitas outras práticas como utilizar aeronaves do estado ou pagar jetons a secretários! A estratégia para reeleger Zema busca aproximar não somente de outras legendas por meio de coligações, mas também se aproximar de lideranças políticas e empresariais e garantir força ao palanque de reeleição. Não digo que a estratégia ou a mudança do Partido Novo seja errada ou mereça censura, afinal, só os ignorantes não mudam para melhorar! 

Saúde e Educação 

Falando em governo Zema, está no Tribunal de Contas do Estado a informação do Ministério Público de Contas de que o governo estadual comandado por Romeu Zema teria gasto menos que o obrigatório constitucionalmente com Saúde e Educação. A acusação é do Ministério Público de Contas do Estado de Minas Gerais. Se confirmada, a informação pode ter forte impacto negativo na imagem da gestão estadual. E também vai botar a prova a imparcialidade do Tribunal de Contas, que nos últimos tempos tem crucificado municípios por Minas Gerais por não aplicarem os valores constitucionais definidos em Saúde e Educação. Ocorre que os muitos municípios tiveram retidos pelo Governo de Minas bilhões de reais de seus repasses obrigatórios sem que o Tribunal de Contas nada fizesse. E ainda hoje o Governo de Minas ainda deve mais de R$ 5 bilhões aos municípios mineiros, que com muitas dificuldades não estão sendo poupados pelo Tribunal de Contas que tem sido severo com os prefeitos. Será que o “pau que bate em Chico, vai bater em Francisco”? A conferir!  

Os sem noção 

O Partido dos Trabalhadores – PT parece que vai mesmo tentar reverter sua forte rejeição popular lançando candidatos a governador e senador em 2022. Depois de desistir de lançar candidato a deputado e a prefeito em Varginha nas eleições de 2018 e 2020, num claro reconhecimento do desgaste que vem enfrentando, a legenda vai tentar reerguer em âmbito estadual. A executiva da legenda se reuniu nos últimos dias para definir que terá candidatura própria para governador e senador. Nesta eleição de 2022 haverá apenas uma vaga para o senado (vaga ocupada por Antônio Anastasia). A mudança de postura do PT em âmbito estadual pode significar que, também em Varginha, a legenda pretenda lançar candidatos, o que vai tumultuar ainda mais a disputa local pelas vagas a ALMG e a Câmara dos Deputados no Congresso Nacional. Atualmente temos visto a articulação para o retorno de Lula como candidato a presidente da República. O ex-presidente acusado por diversos crimes e que cumpriu pena por corrupção, mesmo tendo seus processos anulados, é incrivelmente um forte candidato, o que mostra que boa parte dos eleitores não tem memória. Na esfera estadual o nome mais forte para a disputa ao Governo de Minas é o deputado federal Reginaldo Lopes, pouco conhecido na região, mas que pode tentar usar a fama de Lula e os desgastes dos governos estadual e federal para ganhar votos na região. Não sei o que dizer quanto a isso tudo! Pois dizer que os petistas são “sem noção por darem as caras nas urnas após tantas mazelas descobertas em suas gestões é mesmo um desaforo ao cidadão”. Contudo, acho mais adequado dizer que os verdadeiros “sem noção” não são os petistas, mas sim os eleitores que ainda acreditam em promessas do “eu não sabia, eu sou inocente”! Me ajuda ai! 

Exemplo próximo 

O prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Azevedo, que esteve recentemente em Varginha em visita ao prefeito Vérdi Melo, anunciou que vai começar a pagar um “auxílio municipal” aos moradores carentes de Poços que comprovem ter perdido o emprego com carteira assinada durante a pandemia do Covid-19. A medida inédita na região é uma das formas de gastar os milhões de reais que as prefeituras ganharam da União para combate a pandemia. Embora a medida adotada em Poços de Caldas seja “apoio direto a quem precisa e recurso direto no comércio local” há quem desaprove tal atitude. Não vamos entrar no mérito do pagamento de abonos e nem mesmo a possível sobreposição de tais pagamentos, visto que o governo federal, estadual e, no caso de Poços, também o governo municipal vai pagar auxílios e, possivelmente, boa parte das famílias beneficiadas serão as mesmas. Mas vale ressaltar se não seria melhor investir algo que garantisse a independência e sobrevivência das famílias carentes. O famoso dar a vara e ensinar a pescar, e não dar diretamente o peixe!

Insatisfação 

A pandemia que causou a paralisação de diversos serviços e ações dos governos e iniciativa privada vem gerando uma chuva de reclamações por maus serviços realizados ou não pela equipe do “home office”, que nem sempre responde com a mesma eficiência que presencialmente. Além disso, muitas das empresas e órgãos públicos não estão preparados para o “home office” ou nem mesmo tem modernidade para isso! Algumas coisas simplesmente não se podem ser realizadas a distância. No caso da iniciativa privada, a reclamação precede a falência, que foi o que ocorreu, por exemplo, com restaurantes que não possuíam o sistema de entrega de refeições e aplicativos ou sites para venda por internet. A modernidade tecnológica foi uma imposição do novo mercado. Já no serviço público, em muitas prefeituras as reclamações nas ouvidorias explodiram de tantas reclamações. Não é pra menos visto que, presencialmente o atendimento do Serviço Público já era questionável e agora, virtualmente, a entrega de eficiência foi reduzida ainda mais. Em Varginha não se tem dados sobre o número de reclamações na ouvidoria do município ou outros canais de reclamações e denúncias. A Prefeitura de Varginha, pelo menos neste governo, nunca revelou tais dados para sabermos qual a avaliação da população quanto ao número de reclamações recebidas. Será que aumentou? Quais foram as áreas que mais perderam eficiência? Porque não se revela tais informações? 

Reconstrução 

O prefeito Vérdi Melo recebeu o novo presidente do Sindiserva – Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais de Varginha. O encontro ocorre após longa e sangrenta disputa no sindicato acompanhada de perto pelo governo. Vérdi sabe que não deve interferir nas questões internas do funcionalismo, ainda mais nas disputas de poder entre as muitas castas do funcionalismo municipal que se divide em vários grupos políticos, entidades representativas e forças dentro da administração. E justamente estas divisões é que enfraquecem o funcionalismo nos seus principais pleitos. O Sindiserva é a principal entidade dos servidores municipais, embora esteja dividindo forças com a recente e já endinheirada Caixa de Assistência dos Servidores Públicos Municipais – Caserv. A coluna sempre foi questionadora do serviço público, sem nunca desmerecer a figura do servidor público, principalmente o servidor de carreira, que é fundamental para a sociedade. A melhoria do serviço público e fortalecimento da carreira passa, fundamentalmente, por dois caminhos. O primeiro deles é a missão de “cortar na carne” no serviço público, identificando e colocando na rua os servidores que não trabalham ou que cometem desvios de conduta. O segundo caminho é a unificação e fortalecimento das muitas entidades que representam os servidores. Em Varginha está difícil trilhar estes dois caminhos, mas a esperança é a última que morre!  

Promessas em atraso 

A reeleição do prefeito Vérdi Melo envolveu a união de diversos partidos, que embora diferentes e com programas antagônicos em alguns casos, resolveram se unir em torno de Vérdi Melo (Avante) e Leonardo Ciacci (PP). O projeto político inicial, inclusive, pregava que Leonardo Ciacci iria ser candidato em 2020 contra Vérdi. Da mesma forma que outras legendas como PSD, MDB e tantas outras que tinham caminho diferente do apoio ao atual prefeito. Contudo, após diversas conversas e acertos, uma grande aliança foi construída em torno da chapa vitoriosa. A construção envolveu ainda diversas outras personalidades políticas, como deputados estaduais e federais entre outros. Contudo, em que pese as dificuldades de montagem do governo e escolhas partidárias que o prefeito foi escolhendo ao longo do tempo, alguns compromissos ainda pairam pendentes, segundo apoiadores. Ninguém sabe ao certo porque Vérdi escolheu o partido avante para abrigar sua candidatura, visto que diversas outras legendas mais atrativas estavam abertas ao político, da mesma forma, também não está claro qual o grupo do prefeito na legenda, sua força interna no partido e mesmo a participação do Avante no governo. A coluna imagina que Vérdi Melo ainda medita como e quando resolver muitas promessas que fez no passado, afinal, para um político que chega ao maior cargo do município, há sempre novos desafios e eleições a enfrentar... 

Covid no Governo 

A coluna já tem a informação de muitos integrantes do governo nas mais variadas áreas que tiveram o Covid-19. Alguns poucos tiveram complicações, foram hospitalizados e, por sorte, a grande maioria passou pela doença sem ter maiores problemas. Alguns dizem até que a Covid-19 foi uma boa desculpa para que muitos funcionários e cargos de confiança se ausentar do trabalho por 15 dias. De qualquer forma, um caso em especial chamou a atenção pela contaminação em massa e a discrição como foi tratado. A Rádio Melodia de Varginha, administrada pela Prefeitura, faz parte do complexo de comunicação do governo municipal, que tem ainda uma televisão e um jornal semanal. Na Rádio Melodia, diversos funcionários tiveram a doença, sendo que a pandemia fez grande estrago e causou preocupação entre muitos da comunicação. Os servidores da Rádio Melodia que foram contaminados foram afastados e ficaram em isolamento, muitos passaram por maus bocados. Nada se comentou nem é informado, mas surtos como o ocorrido na Rádio Melodia podem ter ocorrido ou ainda estar acontecendo em várias áreas do governo. Contudo, talvez para não causar alarde, nada é comentado fora dos “muros do governo. 

Burburinho 

O tempo vai passando rápido e despercebido e o mandato da mesa diretora da Câmara de Varginha chega à metade. A reeleição da vereadora Zilda Silva como presidente da Câmara foi uma disputa “dolorida para o governo” causando o primeiro desgaste interno na base aliada. Superada a questão sem muita perda para o prefeito, mas intenso desgaste para membros de sua equipe. A disputa do comando da Câmara em 2022, já é tema em algumas rodas reservadas. O candidato derrotado em 2021 está determinado a retornar ao comando da casa, apoiado por seu parente no Executivo que também tem sede pelo poder. Lado outro, o mesmo grupo que reelegeu Zilda Silva, quer continuar no comando do Legislativo municipal em 2022, ano de eleições estaduais em que o peso do Legislativo municipal cresce. Não se sabe como estes dois grupos vão se apresentar no final deste ano, quando serão as eleições para a mesa diretora da Câmara. Certo mesmo é que haverá uma disputa pois, até aqui, os desejos dos grupos e seus líderes são inconciliáveis. 

Perguntas sem resposta 

A recuperação do antigo lixão de Varginha, na saída para Três Pontas, ainda é causa de muita preocupação. O local deveria ser alvo de intensas obras da Copasa, para recuperação do espaço e apoio as famílias que vivem da reciclagem, contudo não é o que se vê. Além disso, não se sabe ao certo qual o índice de resíduo sólido em Varginha que realmente é reciclado e qual o destino da receita deste material. A relação do município de Varginha com a Copasa é algo e ser “estudado”, pois os investimentos da estatal na cidade não acompanham a “paciência e mansidão” que o município e as autoridades ambientais têm com a empresa. Será que vamos ter, um dia, um moderno e eficiente sistema de saneamento básico em Varginha, acompanhado de um eficiente sistema de recolhido, tratamento, coleta seletiva e destinação final do resíduo sólido na cidade? A conferir! 

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