Coluna | Viver Consciente
Willes S. Geaquinto
Psicoterapeuta Holístico, Consultor e Palestrante Motivacional, Escritor - Autor dos livros "Cidadania, O Direito de Ser Feliz” e Autoestima – Afetividade e Transformação Existencial

Interatividade: Os textos desta coluna expressam apenas a opinião do autor sobre os assuntos tratados, caso o leitor discorde de algum ponto ou, até mesmo, queira propor algum tema para futura reflexão, fique a vontade para comentar ou fazer a sua sugestão.

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O analfabetismo ambiental
09/06/2010
A falta de consciência ambiental não está apenas nas ações predatórias do bicho homem, mas, na sua grande ignorância em relação ao meio ambiente em que vive. É esse o fato gerador das enormes dificuldades para o entendimento mais profundo das questões ambientais ou ecológicas. E isso se deve, em parte, à visão reducionista que hoje prevalece quando tratamos do meio ambiente, uma visão limitadora que nos leva a pensar que ele é algo aquém ou além de nós. Até mesmo aqueles de possuem boa vontade no trato dessa questão, equivocam-se quando tentam desenvolver, por exemplo, uma educação ambiental baseada numa visão puramente mecanicista, que coloca o homem em separado em relação ao meio ambiente, quando em realidade o homem é parte integrante do todo ambiental.

Discute-se já há algum tempo a questão da sustentabilidade, ou seja, um desenvolvimento que sustente o meio ambiente ao invés de degradá-lo. E o maior obstáculo tem sido a falta do entendimento de que o que deve ser sustentável é a vida em sua totalidade, não o desenvolvimento em si, que deveria e deve estar alicerçado em melhorar a existência humana e não colocá-la em risco. O secular analfabetismo ambiental foi que gerou essa cegueira crônica que impede o homem de ver o óbvio: todo tipo de desenvolvimento visa, em suas razões básicas, a evolução da vida humana não apenas no sentido quantitativo, e sim no aspecto qualitativo. Para refletir: mas e se esse desenvolvimento aniquila a vida do homem a quem ele serve? Que homem sobreviverá para gozar o desenvolvimento? Se alguma coisa está errada há muito tempo e ninguém quer admitir, não será porque essa cegueira já se instalou na alma humana?

Educadores, cientistas, ambientalistas, técnicos, e outros interessados sinceros na causa ambiental que é essencialmente humana também, não têm como fugir ao fato de que precisam rever seus conceitos em relação ao meio ambiente e à sua sustentabilidade. Toda a ação educativa e prática em prol do meio ambiente deve necessariamente passar pela mudança da visão linear-mecanicista de Descartes e Newton, onde o universo é visto separado em partes, para uma visão holística e ecológica cuja compreensão é a de que o universo é uma imensurável e dinâmica teia onde tudo se relaciona com tudo, digamos assim; tudo que existe contribui para a existência do todo. O meio ambiente é uma rede ou uma teia, um sistema do qual fazemos parte: há um encadeamento natural no universo e nós fazemos parte dele.

Devemos perceber, por exemplo, que quando derrubamos uma árvore é parte da nossa vida que está sendo podada, é o habitat de muitas vidas que se vai; toda a agressão ao ambiente e à sua biodiversidade refletirá a curto, médio ou logo prazo, em nosso próprio existir. Ao poluirmos a água ou degradarmos qualquer sítio, é a saúde do planeta e a nossa própria que estamos a afetar. Quando provocamos uma queimada é toda uma biodiversidade que se deteriora, são animais, insetos, um encadeamento natural que estamos a por fim. E a cada vez que essas ações se repetem ficamos mais vulneráveis em nossa sobrevivência. Se não compreendermos ou sentimos esse fenômeno é por que com certeza nos falta sabedoria, então devemos com humildade ir buscá-la através do aprendizado e de novas práticas ambientais.

Fora da alfabetização ambiental não há salvação nem para o meio ambiente nem para nós, já que estamos umbilicalmente ligados. É preciso aqui e agora, darmos um novo viés pedagógico ao estudo ecológico e às práticas preservacionistas, algo que propicie ao mesmo tempo a compreensão racional do meio ambiente e a criação de laços emocionais ou afetivos com a natureza em todas as suas formas. Basta de paliativos, de palavras ao léu, de discursos meramente políticos ou ambientalmente corretos. A responsabilidade é de todos, mas o compromisso maior é daqueles que detêm algum conhecimento, poder, coragem e competência cidadã, ferramentas necessárias para forjar uma nova consciência ecológica solidária e universal. No mais, como já cantou o poeta Taiguara: “e que as crianças cantem livres sobre os muros...”.

Boa Reflexão e viva consciente.

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