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Padre Pepê da Comunidade Magnificat completa 50 anos de sacerdócio e concede entrevista exclusiva; confira
Iago Almeida / Varginha Online | 21/07/2021 - 08:15:20
(Foto: Arquivo Pessoal)

Ordenado em 04 de julho de 1971, exatamente no dia em que ele completava aniversário de vida, em Campanha, Padre Pedro Paulo Santos completou neste ano de 2021, 50 anos de vida sacerdotal. Ele conta que escolheu como presente de Dom Othon Motta, bispo diocesano da Campanha na época, escolher a data de sua ordenação.

"Deus me deu a graça de completar 50 anos de padre. Uma alegria muito grande. Estar vivo, atendendo diariamente o povo e não pegar esse bichinho (Coronavírus), embora me cuido muito, sempre faço exame, é uma graça de Deus. E também de poder chegar nessa idade que estou e estar com saúde, é muito difícil ficar doente. Então, só tenho coisas para agradecer a Deus", contou o padre em entrevista ao Varginha Online.
 
Padre Pepê, como é carinhosamente conhecido, nasceu na zona rural de Campanha e ainda criança se mudou com a família para Cambuquira. Atualmente, aos 78 anos, reside e trabalha na Comunidade Evangelizadora Magnificat, na zona rural de Três Corações (MG).
 
A comunidade Magnificat, antes da pandemia da Covid-19, alugava seu espaço para vários eventos da Renovação Carismática Católica, Cursilho, Equipe de Nossa Senhora, Fé e Política, Mães que Oram pelos Filhos, dentre outros. Padre Pepê conta que o trabalho foi um pouco modificado, mas que nada disso os impediu de continuar. 
 
"Paramos com tudo, não podemos mais alugar. O trabalho era muito grande e nós padres da ficávamos atendendo confissões do povo, celebrando pra eles. Nesses quase dois anos, nós tivemos uma semana que passamos muita dificuldade de alimentos. Mas, nós falamos pela nossa rádio web e muita gente nos ajudou. Estamos bem, nossa dispensa está ótima, graças a Deus. A parte financeira que pesa, porque não entra; não pode alugar; coleta de missa diminuiu 80%;  temos dois funcionários e não podemos mandar embora; temos que pagar luz, graças a Deus não pagamos água, que a nossa é de mina; mas graças a Deus, não estamos devendo nada", afirmou o padre.
 
Livros, CDs e programas gravados
 
Durante a conversa com o Varginha Online, o padre contou que tem quatro livros escritos em sua autoria, através da Editora Santuário Aparecida, de São Paulo. Segundo ele, foram mais de 10 mil exemplares vendidos em todos esses anos. Além disso, ele possui mais de 100 músicas gravadas em CDs e programas por vários contos do país.
 
"Agradeço a graça de escrever quatro livros para evangelizar e gravar seis CDs, tendo mais de 100 músicas gravadas, cantadas em muitos lugares do Brasil, mas o povo nem sabe que sou eu, porque eu faço mais letras do que músicas, e pelo fato de não cantar, o povo nem sabe que são músicas minhas, mas TV Aparecida e Canção Nova tocam músicas minhas", enfatizou.
 
Os livros escritos pelo sacerdote, são:
 
- Evangelização Fundamental 1 - escrito em 1989 (Cristologia, estudar a pessoa de Jesus; para ajudar os leigos que não têm muito tempo para estudar).
- Evangelização Fundamental 2 - escrito em 1990 (Eclesiologia, o estudo sobre a Igreja)
- Evangelização Fundamental 3 - escrito em 1992 (Pneumatologia, estudo do Espírito Santo)
- O jovem deseja assumir sua vocação - escrito em 1996 (Para ajudar o jovem a discernir sua vocação; cada capítulo é dedicado a uma vocação)
 
Foto: Arquivo Pessoal
 
Os CDs do padre, são:
 
- Vinde e Vede - gravado nas Paulinas, em São Paulo, em 1987
- Eu e Deus - a primeira faixa, Carro Chefe, é uma das músicas mais tocadas no Brasil entre os católicos
- Oração de Cura - o CD é mais para oração, sobre Cura Interior, que foi feito para ajudar pessoas que convivem com situações difíceis
- A Busca - gravado em uma gravadora de Itajubá
- O Que Tu Queres Senhor 
- Padre Pepê e amigos - com participação de amigos, inclusive da banda Anjos de Resgate
- Momentos de Fé - gravado em homenagem aos 47 anos de padre
 
Programas
 
Momento de Fé na Rádio Fama (Fama-MG) - aos sábados, às 8h
Momento de Fé na Rádio Ondas Verdes (Conceição do Rio Verde-MG) - às segundas-feiras, às 8h
Oração do Terço na Rádio Web Magnifica - às sextas-feiras, às 8h
Hora da Misericórdia na Rádio Canção Nova, às quintas-feiras, às 15h
Ele trabalhou também como voluntário na Canção Nova, fazendo programas ao vivo de Adoração na TV, nas quintas-feiras. Já na TV Século 21, em Valinhos-SP, ele fazia dois programas de louvor ao ano. Além de algumas participações na TV Grava, de Alfenas.
Além disso, toda segunda-feira, às 19h30, há uma missa de Cura e Libertação na Comunidade Magnificat, que recebe pessoas do Rio de Janeiro, São Paulo, Cuiabá e outros muitos lugares do país. Antes da pandemia, reunia 500 pessoas, hoje só podem 140.
 
Entrevista exclusiva

Como nasceu sua vocação? Sempre pensou em ser padre?
 
A minha família conta que eu fui registrado com o nome de Marcelo, e minha família me levou até a Catedral da Campanha para que eu fosse batizado, pelo padre José Simões, que faleceu em Varginha há anos atrás. Esse padre, dia 22 de agosto, viu no registro que eu tinha nascido no dia 04 de julho e disse a minha família: ´mas o Marcelo nasceu pertinho de São Pedro e São Paulo, ele vai chamar-se Pedro Paulo, me batizando com esse nome. Então o padre mudou meu nome e quando terminou o batismo, conta a minha irmã que está em Campanha com quase 90 anos, que o padre disse assim: ´o Marcelo não vai ser padre, mas o Pedro Paulo que eu batizei, vai ser padre´. 
 
Eu não sabia disso, descobri na escola; sou filho de pais analfabetos, pessoas da zona rural, muito simples, e eles esconderam isso de mim, então descobri na escola. Então, procurei saber da verdade. Como minha família não frequentava a Igreja, eu não tinha conhecimento da Igreja; um dia fui para a quadra de esportes com um amigo e ele entrou na igreja em Cambuquira, falando que era pra gente pedir ajuda pra Deus para a gente ganhar o jogo, e na hora que o padre estava dando a comunhão, ele foi lá pra frente e eu fui também; eu pensei que era pra todo mundo, eu não sabia o que estava acontecendo, pois era a primeira vez que eu estava entrando em uma Igreja. Ele comungou e eu comunguei também; aí quando terminou a missa ele disse que eu não poderia ter feito aquilo, que era pra eu procurar o padre e contar que eu tinha cometido um pecado, e eu nem sabia o que era pecado na época.
 
Eu então procurei o padre Joel, em Cambuquira, e contei pra ele o que tinha acontecido, aí o padre conversou comigo e me fez umas perguntas; após eu responder as perguntas ele me disse: ´você quer ser padre?´, eu respondi: ´mas onde que é?´, ele disse: ´ o seminário é em Campanha, você tem estudo?´, eu disse que não, só o primário, mas que tinha muita vontade de estudar e que se no seminário tinha livros e aulas e que aí sim eu queria ser padre, e fui pro seminário em 1959. Dessa época pra cá eu só pensei em ser padre, quando entrei no seminário fiquei apaixonado e procurei levar muito a sério a minha vida.
 
Como foram os primeiros passos?
 
Eu fui mandado embora do seminário em 1963, por causa do futebol. O padre Moacir, que foi pároco em Varginha, na Paróquia São Sebastião, era nosso técnico de futebol e mandou que eu ajudasse nas olimpíadas de Campanha, pois eles precisam de alguém canhoto e eu jogava no time de seminário. E aí surgiu uma ideia, que eu tinha uma namorada, não conheço até hoje, depois de 50 anos, mas o padre Monsenhor Domingos, também de Varginha, sugeriu que eu saísse, para repensar minha vida. Eu saí, caí no Exército, em 1964, em que os militares tomaram o poder e foi um ano terrível na minha vida. Encontrei no Exército o padre José Maria Maciel, capelão, que também jogava futebol comigo; ele era meio campo e eu lateral esquerdo. Então, esse padre me deu apoio e carinho. No Exército conheci uma moça e começamos a namorar, mas não conseguia ser feliz, eu estava sempre pensando no altar, no estilo de padre e aquilo me incomodava muito, mas eu não tinha outra saída. 
 
Até que um dia, o padre Guilherme, que hoje é bispo emérito de Sete Lagoas, que é daqui da Diocese, iria para Roma estudar e passou onde eu morava em Belo Horizonte e falou: "Pedro Paulo, o seminário descobriu que você é inocente e te chamou de volta, você quer?´, eu disse ´agora´. No mesmo momento terminei meu namoro, que já pensávamos em ficar noivos, e entrei para o seminário em 1966 em Mariana. Fiz Filosofia, Teologia e me ordenei padre em 1971. 
 
Qual foi sua primeira paróquia? E o primeiro trabalho na Diocese?
 
A primeira paróquia foi a de Nossa Senhora D´Ajuda, em Três Pontas, onde fiquei 14 anos; amei o trabalho lá. Meu primeiro trabalho foi com 06 meses de padre, quando fui chamado para ser coordenador diocesano de pastoral, que é um serviço para padres mais experientes, mas o padre ficou doente e eu com 06 meses aceitei; foi meu primeiro trabalho diocesano.
 
Foto: Arquivo Pessoal - Padre Pepê encontrou Papa João Paulo II em Roma, em 1984, quando conversaram por cerca de 10 minutos. "Foi um momento de muita graça na minha vida" afirma o sacerdote.
 
Qual comunidade mais o marcou?
 
Sempre a primeira né. Quando você ouve uma música, aquela gravação marca muito; pode vir um canto melhor, uma orquestra melhor, mas a primeira gravação pra mim é a que marca mais. Então, a paróquia que mais me marcou foi a Nossa Senhora D´Ajuda, em Três Pontas, tenho saudade até hoje. De lá, o bispo me ofereceu um curso em Roma e eu fui em 1978, onde me formei na área de teologia espiritual. Depois que voltei, lecionei para futuros padres a vida inteira, em Taubaté, Juiz de Fora e no seminário em Pouso Alegre. 
 
Outras comunidades me fizeram muito bem, como Jesuânia, São Bento Abade, Carmo da Cachoeira; também trabalhei Piansano, na Itália; em Bogotá; em Williams, nos Estados Unidos; e também em Epsom, na Inglaterra. A última experiência foi na Escócia. Tive a graça de trabalhar nesses lugares, nas paróquias como padre, por pouco tempo, mas trabalhei; fazendo experiências, aprendendo línguas, todas me marcaram de alguma forma.
 
Como o senhor vê a pandemia, ligada à fé, oração, solidariedade?
 
A pandemia é um mal e Deus não pode, teologicamente, produzir o mal. O mal gera o mal, o bem gera o bem, a violência gera violência, a paz gera a paz. Então, eu vejo a pandemia como sendo um alerta para nós. Já deixei claro que Deus não deu isso, mas também deixo claro que Deus está aproveitando disso, como sinal de que a pandemia está nos levando a mudar de vida, a repensar em nossa vida, levando-nos a buscar mais a solidariedade, ajudar mais aqueles que precisam mais do que nós. 
 
O que deixa de mensagem aos fiéis católicos?
 
A mensagem que eu deixo é essa: Deus começou pregando no Evangelho de Marcos, 1, 14 - 15; convertei-vos, o reino está no meio de vós! A frase é de Jesus e Ele continua falando isso: ´parem de fazer o que estão fazendo, é preciso mudar de vida, é preciso buscarmos Deus, pois nosso fim é Deus. Mateus, 5, 48: sejam santos, porque o pai de vocês é santo´. É a grande mensagem que eu estou tirando pra minha vida, buscar o céu, nós nascemos para o céu, nós não nascemos para droga, prostituição, adultério, crime, roubo, falsidade, especialmente a que estamos vendo aí no mundo e no Brasil. Deus está dizendo: ´olha, tem um bichinho invisível, pequenininho, mas que está matando reis, poderosos´. Ele mata, ele não tem dó, então é hora de vocês repensarem na vida de vocês, isso para mim é muito forte.
 

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