Coluna | Expressão
Fabricio Serafim
34, é economista e ativista social em Varginha-MG, escreve às quintas-feiras neste espaço, no jornal Correio do Sul (Varginha) e no Jornal do Estado (Pouso Alegre).
Pinga fogo: Tapa na cara e travestis
05/05/2008
A semana está agitada... Vários episódios grotescos marcaram a região, o país e o mundo.

E como o que se pretende aqui é “expressar” opiniões, vou fazer um “Pinga Fogo” sobre os fatos que mais me chamaram a atenção, refletindo a situação regional e nacional, entremeados por alguns comentários sobre os acontecimentos, as causas e conseqüências dos mesmos. Sobre postura, talento, oportunidade e também a respeito de questões mais íntimas, interpostas aos casos:

Regionalmente – Varginha-MG: “Prefeito dá tapa na cara de Presidente da Câmara, que revida com garrafada”.

Hilário, se não fosse funesto. Não vamos entrar no mérito da questão. Os fatos não foram apurados e sequer sabemos quem é o “dono da verdade”, mas que é uma baixaria de primeira, ah, isto é! Homens públicos, representantes do povo, que deveriam servir de exemplo para a conduta...

Se o vereador atingiu a primeira dama com ofensas de cunho particular, se o prefeito tem diferenças pessoais com o edil, que a roupa suja seja lavada em casa, ou na discrição dos gabinetes. Mas em público? Numa festa? Este não é o espaço adequado. Por favor, senhores...

Jamais escondi minha simpatia pelos feitos da atual administração municipal varginhense, mesmo sendo contrário a algumas posturas do executivo. Jamais neguei a competência de poucos vereadores, mesmo discordando de algumas de suas posições e oposições. Porém, nunca deixarei de repudiar atitudes descabidas, inépcia administrativa ou legislativa... E, depois, querem criticar a população, sem renda, sem educação formal, sem perspectivas, à mercê da bandidagem...

Não é este o tipo de exemplo que esperamos. Não é este tipo de governo que nosso povo merece. Não podemos ser reféns da dengue, de infanticidas, de traficantes, de corruptos, de madeireiros inescrupulosos e de atravessadores de alimentos, enquanto nossos tutores digladiam-se em questiúnculas...

Nacionalmente – Rio de Janeiro-RJ: “Ronaldo ‘Fenômeno’ faz farra com travestis”.

A masculinidade latina, representada por um de seus grandes ídolos, o “comedor” Ronaldo, eleito o melhor jogador do mundo, envolvido com três travestis, é mais uma vez colocada à prova... O ídolo agiu por engano? Achando que eram mulheres com vagina, útero e menstruação? Faça-me o favor! A imprensa divulga que os travestis foram aliciados em uma conhecida rua de prostituição carioca onde, notadamente, estes profissionais do sexo fazem ponto. Qualquer criança de 12 anos notaria que se tratava de “mulheres genéricas”.

Cabe aqui uma definição, que ilustra bem o caso:

Fenômeno: Do Lat. phaenomenon < Gr. phainómenon, coisa que aparece; s. m.; toda a modificação operada nos corpos por agentes físicos ou químicos; tudo o que é percebido pelos sentidos ou pela consciência; Filos., o que parece ser, tal como realmente se manifesta, mas que pode ser qualquer coisa diferente e até oposta; coisa rara e surpreendente (Dicionário da Língua Portuguesa On Line).

Ronaldinho, como já foi conhecido, procurava por sexo “fenomenal”, (adj. 2 gên., que tem o carácter de fenômeno; espantoso; enorme; surpreendente; assombroso; extraordinário, como bem define o mesmo dicionário). E vamos combinar: Ele poderia ter milhares de mulheres sob seus talentosos pés.

Os travestis agiram de má fé? Pode ser. Mas Ronaldo agiu na melhor e mais pura fé? Improvável.

Há bons e maus jogadores, há bons e maus políticos, há bons e maus travestis. Tudo é uma questão de talento aliado à oportunidade:

Um jogador talentoso, que tenha a oportunidade de mostrar o que sabe fazer, pode se tornar uma estrela, um ídolo. Sua conduta poderá levá-lo à Unesco, mas seus deslizes poderão rebaixá-lo ao limbo.

Sem falso pudor ou moralismo: Cada um transa com quem bem entender, da forma que melhor lhe aprouver. Mas a exploração de serviços sexuais por dinheiro é deplorável. No mínimo, questionável. Falta de competência ou de coragem para vôos mais evidentes... Opção de quem busca dissimular desejos que não podem ser realizados às claras, sob as luzes da sociedade taxativa em que vivemos.

Um político pode chegar à câmara municipal, à prefeitura, aos legislativos estaduais ou federais ou à presidência da república, tudo depende da competência, da habilidade e das oportunidades... A regra diz que, infelizmente, nem sempre honestidade, ética ou postura democrática são pré-requisitos para alçar tais posições, o que também é deplorável.

Um travesti, independente de sua condição sexual, poderia chegar a patamares profissionais mais ortodoxos. Mas neste caso, o agravante é a latente falta de oportunidade. Excluídos da escola, dos ambientes sociais e do mercado de trabalho, muito poucos têm a chance de escapar da marginalidade, dos trevos, da prostituição. Há exceções? Claro que sim! Podemos citar alguns poucos casos, ainda que alijados a setores mais permissivos, como a moda, a televisão e a estética, mas fora isto, onde mais existem exemplos?

Este “Pinga Fogo”, pretende trazer à baila uma discussão mais profunda, com o perdão e a exemplo de Ronaldinho, que talvez também quisesse algo desse quilate, em outras circunstâncias...

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